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Tim Berners-Lee: "Estamos quase no ponto em que metade do mundo estará online"

Peter Macdiarmid / Getty Images

Falando do discurso de ódio, notícias falsas e outros problemas que surgiram com a internet, o inventor da web pede à plateia que se junte na resolução dos seus problemas. "Todas as pessoas são responsáveis por tornar a internet um mundo melhor"

Sempre a gesticular e muito expressivo, Tim Berners-Lee começou a sua intervenção na cerimónia de abertura da Web Summit a explicar o que esteve por trás da criação da internet.

"Se tivesse que escolher a melhor característica da internet para preservar seria a universalidade", afirma esta segunda-feira, na Altice Arena em Lisboa, o inventor da internet e fundador da World Wide Web Foundation.

Mas essa universalidade, segundo diz, está ameaçada. A taxa de crescimento das pessoas que têm acesso à internet tem vindo a decrescer nos últimos anos.

Berners-Lee aponta que no início não adivinhava os riscos que a web poderia trazer. "O que podia correr mal com a internet?", questiona. Mas hoje é fácil encontrar várias respostas: notícias falsas, discurso de ódio, violência, problemas de privacidade...

Foi por isso que o criador da internet e a World Wide Web Foundation, que criou, lançaram esta segunda-feira um plano para assinar um "Acordo para a Internet" entre governos, empresas e cidadãos para garantir e proteger uma internet livre e aberta a todos.

Utilizadores são parte da solução

"Porque vos estou a falar sobre isto? Porque estamos quase no ponto em que metade do mundo estará online: maio de 2019", explica, acrescentando que precisamos de "garantir que a internet é a que queremos para criar o mundo que queremos".

"O Acordo para a Internet é revolucionário porque regressa aos valores da internet", explica. "Parte desta revolução passa por pessoas como vocês, utilizadores, tomarem os desafios nas suas próprias mãos."

"Todas as pessoas são responsáveis por tornar a internet um mundo melhor. Como indivíduos temos de responsabilizar as empresas e os governos pelo que se passa na internet", defende. "Peço a vossa ajuda para serem parte da resolução dos problemas da internet."

"A privacidade é um direito fundamental"

Questionado sobre se o universo online obriga a redesenhar alguns limites que hoje conhecemos, como as questões da privacidade ou proteção de dados,Tim Berners-Lee afirma que "a privacidade é um direito fundamental pelo qual devemos lutar".

Apesar disso, reconhece que podem haver alguns limites complexos de definir, como no caso da liberdade de expressão.

"Os limites do discurso livre são complexos. Pessoas diferentes tem opiniões diferentes", aponta. "Mas as empresas devem perguntar-se: como é que isto vai afetar os direitos das pessoas?"