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Web Summit

Guterres: “Máquinas com poder para tirar vidas humanas são política e moralmente inaceitáveis. Devem ser banidas”

JOSE SENA GOULAO / Lusa

Destruição de empregos, populismos e discurso de ódio e instrumentalização da inteligência artificial ao serviço da guerra são as três grandes preocupações do secretário-geral das Nações Unidas, que discursou na Web Summit, em relação ao futuro da internet

Entrou numa sala a meia luz, pontilhada pelas lanternas das câmaras dos telemóveis de quem estava na plateia - uma espécie de homenagem dos tempos modernos, que recorre à tecnologia para saudar o secretário-geral das Nações Unidas.

E foi sobre tecnologia que falou. António Guterres começou por sublinhar os benefícios que as tecnologias como a blockchain, inteligência artificial e outras trouxeram à sociedade. "O uso das tecnologias permitiu-nos ser mais eficazes a resolver os problemas de hoje", disse esta segunda-feira durante a cerimónia de abertura da Web Summit, em Lisboa. "Os objetivos do mundo - da educação à saúde, alterações climáticas, etc. - serão muito difíceis de alcançar sem a velocidade tecnológica."

Mas não esqueceu os riscos e os desafios, apontando três preocupações: o futuro do emprego, os populismos e o discurso de ódio e ainda a instrumentalização da tecnologia para a guerra.

"Hoje vemos muitos trabalhos a serem criados e muitos a serem destruídos", explica Guterres. "E claro que não estamos preparados para isso. A relação entre o trabalho, o lazer e outras ocupações vão mudar radicalmente. É esta área que precisa de mobilizar governos e sociedade, que não estão a fazer o suficiente para abordar estes desafios", acrescenta, acompanhado por um grande aplauso da plateia.

Os populismos, o discurso de ódio e as invasões de privacidade foram também destacados pelo secretário-geral das Nações Unidas como outra das preocupações que surgem com a internet. "Claro que não foi a internet que criou o populismo e a polarização da sociedade, não podemos culpar a internet por isso. Mas a internet ajudou a amplificar esses problemas."

Para terminar - e entrecortado por vários aplausos da plateia -, António Guterres revela a sua terceira preocupação. E deixa um aviso. "Máquinas com poder para tirar vidas humanas são política e moralmente inaceitáveis e devem ser banidas pela lei internacional."

O responsável máximo das Nações Unidas referia-se à preocupação de que a inteligência artificial seja utilizada como uma arma de guerra, como "armas com possibilidade para matar". "A instrumentalização da inteligência artificial para a guerra é uma grande preocupação."