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Violações prevenidas por preservativos... com dentes

Um homem que tente violar uma mulher que esteja a usar o "Rape-aXe" não esquecerá o crime: com uns ganchos que se cravam na pele do pénis do violador, o preservativo feminino é o mais recente método anti-violação. (Ver vídeo no fim do texto)

Paula Cosme Pinto (www.expresso.pt)

Uma médica da África do Sul acabou de lançar um novo método anti-violações: um preservativo feminino... com dentes. Introduzido na vagina como um tampão, o "Rape-aXe" tem uns ganchos que se prendem ao pénis do violador, que só o conseguirá arrancar com ajuda médica. De acordo com a notícia avançada pela CNN, a ideia nasceu há mais de 40 anos, quando a médica ouviu de uma vítima de violação o desabafo: "Se ao menos eu tivesse tido dentes lá em baixo!". Depois de ter falado com ginecologistas, engenheiros e psicólogos que a ajudaram a tornar o projecto "totalmente seguro", Sonnet Ehlers chegou ao actual dispositivo.
O preservativo feminino prende-se ao pénis do violador

O preservativo feminino prende-se ao pénis do violador

DR/Sonnet Ehlers

"A situação ideal é as mulheres usarem-no quando vão para um encontro às cegas ou para zonas perigosas", explica a médica. Se for sexo consentido, a mulher retirará o preservativo antes do acto. Se houver abuso sem que esta o tenha retirado "o violador ficará com o pénis magoado, impossibilitado de urinar e se tentar retirá-lo sem ajuda médica vai ferir a pele". A especialista espera agora que haja uma colaboração directa entre médicos e autoridades, de forma a que os violadores sejam presos. Enquanto decorre o Mundial de futebol, vão ser distribuídos 30 mil exemplares gratuitamente. Posteriormente, os preservativos anti-violação passarão a custar cerca de dois euros.

Um "método medieval"

Sonnet Ehlers tem sido alvo de críticas de diversas associações de apoio à vítima, que alegam que o preservativo feminino "não é uma solução a longo prazo, tornando as mulheres ainda mais vulneráveis à violência infligida pelos homens que forem apanhados pela armadilha". Há ainda quem diga que a "o método proporciona uma falsa sensação de segurança" e que "pode contribuir para um maior trauma". Segundo dados da Human Rights Watch, a África do Sul é um dos países com taxa mais elevada de violações em todo o mundo, crime que "na maioria dos casos fica impune". Na perspectiva da médica, o "Rape-aXe" poderá ser um elemento chave para uma melhor actuação da Justiça. Acusada de ter desenvolvido um "método medieval", Sonnet Ehlers não desarma: "Sim, pode ser medieval, mas é para combater um crime que por si só também é medieval mas se arrasta há décadas. Talvez assim os homens pensem duas vezes antes de o cometerem."