Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Veja o coração por dentro (com vídeo)

Especialistas europeus em imagiologia debatem em Lisboa os avanços na técnica de diagnóstico não invasiva que está a revolucionar a cardiologia. (Veja o vídeo no final texto)

A partir de hoje e até sábado, o Hotel Altis em Lisboa é o palco do principal congresso europeu na área da Ressonância Magnética Cardíaca (RMC). Cerca de 300 especialistas europeus em imagiologia e cardiologia vão debater os avanços desta promissora técnica de diagnóstico, cuja aplicação às doenças do foro cardíaco é muito mais recente que noutras áreas. "Tem aspectos verdadeiramente revolucionários. Trata-se de uma técnica não invasiva, sem radiação, ao contrário da TAC [tomografia axial computorizada] que se associa a radiação acentuada, com os riscos potenciais para a saúde, aspecto hoje em dia muito discutido", explicou ao Expresso a co-presidente do congresso, Ana G. Almeida. Actualmente, a técnica mais popular para avaliar a saúde dos vasos sanguíneos que irrigam o coração é a angiografia, um procedimento que implica a introdução de um cateter na virilha que é depois conduzido ao coração. Graças ao aparelho de ressonância magnética, é possível obter imagens tridimensionais das coronárias - vasos que irrigam o músculo cardíaco e cuja obstrução pela arteriosclerose leva ao enfarte - de forma totalmente não invasiva, com benefícios óbvios para o paciente. O diagnóstico torna-se não só mais fácil mas também mais seguro. "É possível obter informação vastíssima na quase totalidade das situações cardiovasculares", afirma a cardiologista do hospital de Santa Maria, em Lisboa. Pode-se, por exemplo, aprofundar o estudo do músculo cardíaco nos doentes com insuficiência cardíaca, identificando as suas causas e escolhendo o tratamento mais adequado. O método pode também ser utilizado para o estudo da arteriosclerose vascular, avaliando, por exemplo, o grau de obstrução das artérias, e até para identificar tumores no coração. "É a técnica com maior capacidade diagnóstica nesta área", garante a especialista. Em Portugal, a RMC tem também sido utilizada para a identificação de factores de risco de morte súbita e de arritmias malignas em vários tipos de doença cardíaca, incluindo em atletas de alta competição. No Hospital de Santa Maia está em curso um estudo internacional de investigação da morte súbita em jovens, onde a ressonância cardiovascular tem um papel importante, pois visa detectar duas das três principais causas de morte súbita em pessoas jovens e que não são diagnosticadas através de um electrocardiograma: malformações congénitas das artérias coronárias e uma anomalia designada por miocardiopatia arritmogénica do ventrículo direito (responsável pela oxigenação do sangue) que se caracteriza pela infiltração de gordura e tecido fibroso no músculo cardíaco.