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Universidade Nova promove tecnologia pioneira nos EUA

Uma nova geração de mostradores planos da Samsung, com tecnologia totalmente desenvolvida em Portugal, é apresentada esta semana em Los Angeles.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Grupo de investigação de materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Caparica)

Grupo de investigação de materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Caparica)

Os mostradores planos foram desenvolvidos pelo Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito de um projecto com a Samsung, e utilizam novos materiais cerâmicos com propriedades de semicondutores activos.

A sua apresentação no Los Angeles Convention Center é feita na edição de 2008 do "SID International Symposium, Seminar and Exhibition", a maior e mais importante conferência do mundo na área das Tecnologias da Informação e Comunicação.

Os novos materiais, descobertos pela investigadora Elvira Fortunato - que coordena com Rodrigo Martins a equipa de investigação do Cenimat -, são os óxidos metálicos semicondutores, ligados à chamada electrónica transparente, usados na produção de transístores de filme fino em substituição do tradicional silício amorfo ou policristalino. Os novos mostradores da Samsung são do tipo LCD (Liquid Crystal Displays) e OLED (Organic Light Emmiting Diodes).

Fotografia obtida com microscópio óptico da primeira matriz activa com transístores de filmes finos em novos materiais cerâmicos semicondutores, totalmente projectada e realizada no Centro de Investigação de Materiais

Fotografia obtida com microscópio óptico da primeira matriz activa com transístores de filmes finos em novos materiais cerâmicos semicondutores, totalmente projectada e realizada no Centro de Investigação de Materiais

Os mostradores, a usar em telemóveis e outros equipamentos, vão ser patenteados a nível internacional e apresentam as seguintes vantagens: são transparentes na região do visível, o que permite uma maior resolução da imagem; têm baixo custo; podem ser processados à temperatura ambiente (uma inovação mundial); não usam substâncias tóxicas como acontece com a tecnologia do silício de filme fino; são biodegradáveis e biocompatíveis; e têm um desempenho electrónico muito superior às matrizes já existentes no mercado.

O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos de electrónica transparente com o Instituto de Telecomunicações da Coreia do Sul (ETRI), a HP-Hewlett Packard na Irlanda e EUA, o Centro de Ricerca Fiat em Itália e a Saint-Govain Recherche em França.

Recentemente, tal como o Expresso noticiou, este centro assinou um contrato com a multinacional japonesa Fuji para o desenvolvimento de células solares da terceira geração, vencendo o famoso Tokyo Institute of Technology, que é habitualmente comparado ao MIT norte-americano. Estas células, baseadas em nanomateriais, têm um limite máximo de conversão da energia solar em energia eléctrica de 73,7%, contra os actuais 31% da primeira e segunda gerações. Neste momento o departamento de investigação português tem 12 patentes registadas, três das quais internacionais.