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Sociedade

Universidade Nova produz primeiros transístores com papel

Os dispositivos poderão ser usados em ecrãs de papel, etiquetas, chips de identificação e aplicações médicas.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Uma equipa de cientistas do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu produzir pela primeira vez em todo o mundo transístores com uma camada de papel que são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores, área de investigação de ponta em que o Cenimat detém patentes internacionais.

Os resultados obtidos "auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável", afirma um comunicado da reitoria da Universidade Nova divulgado hoje. Os novos transístores poderão, assim, ser usados em ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, "chips" de identificação e aplicações médicas. E a produção em larga escala será facilitada pelo baixo custo do papel no mercado mundial.

A celulose é o principal biopolímero existente no nosso planeta e a indústria electrónica está a investir cada vez mais no desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, devido a seu baixo custo, tendo surgido alguns estudos a nível internacional sobre a utilização do papel como suporte físico de componentes electrónicos. Mas é a primeira vez que se utiliza papel como parte integrante de um transístor.

O Cenimat fabricou transístores de filme fino onde o isolante eléctrico - ou dieléctrico - é feito em papel vegetal ou de fotocópia. Um transístor é constituído por três terminais: a fonte, o dreno e a porta (ver ilustração). Nos dispositivos produzidos pelos investigadores da Universidade Nova - os chamados transístores de efeito de campo (FET-Field Effect Transistor, em língua inglesa) - a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada à porta, que tem de estar isolada. A inovação consistiu precisamente no uso do papel para esse efeito num dos lados, e como suporte do próprio dispositivo no outro.

Recorde-se que no final de Maio foi apresentada em Los Angeles uma nova geração de mostradores da Samsung a aplicar em telemóveis e outros suportes, desenvolvida pelo Cenimat e que usa novos materiais cerâmicos com propriedades semicondutoras ligados à chamada electrónica transparente. O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos nesta área na Coreia do Sul, Irlanda, EUA, Itália e França.