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Trabalhadores dos estaleiros de Viana a caminho de Lisboa

Cerca de 500 funcionários dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo vêm à capital protestar à porta da residência oficial do primeiro-ministro. 'Manif' está marcada para as 15h.

Cerca de 500 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) estavam hoje de manhã a caminho de Lisboa para participarem num protesto contra a indefinição sobre o futuro da empresa, que terminará à porta da residência oficial do primeiro-ministro.

A partida dos trabalhadores, em nove autocarros, aconteceu pelas 8h, junto à empresa. "Queremos dizer ao senhor primeiro-ministro que a nossa empresa tem de ser viabilizada, que é viável e que se autofinancia desde que seja bem gerida", afirmou, à saída, António Costa, porta-voz da comissão de trabalhadores.

O protesto na capital deverá arrancar pelas 15h, à porta da Empordef, holding pública para as indústrias de Defesa, que tutela os estaleiros, e termina junto à residência oficial de Passos Coelho.

Segundo António Costa, os trabalhadores pretendem denunciar na capital a situação vivida pela empresa, que está praticamente parada há dois anos, sendo este o quinto protesto - o segundo em Lisboa - desde junho de 2011.

Terrorismo psicológico 

"O senhor primeiro-ministro tem muitas preocupações mas nós já andamos nisto há dois anos. É um terrorismo psicológico impensável para pessoas com 50 anos de casa, que vieram para aqui meninos", disse ainda.

Na saída da comitiva marcou presença o vice-presidente da Câmara de Viana do Castelo, Vítor Lemos, ele próprio um quadro dos ENVC há 34 anos. "É uma empresa única no país mas corre sérios riscos de desaparecer, por isso não podemos permanecer imunes. Vê-se um desânimo nos trabalhadores, que sentem ser torturados pelo poder politico, há vários anos, porque não resolve a situação", disse o autarca.

No Palácio de São Bento, os trabalhadores pretendem entregar a Passos Coelho uma resolução reclamando a viabilidade dos estaleiros, pedindo ainda que o processo de reindustrialização "comece" precisamente com a empresa de Viana do Castelo.

"Independentemente do processo de privatização acontecer ou não, queremos a viabilização da nossa empresa", sublinhou, à partida de Viana do Castelo, o porta-voz dos trabalhadores.

Exigem também a libertação de 27 milhões de euros para aquisição de aço e motores necessários ao arranque da construção de dois navios asfalteiros para a Venezuela.

Trata-se de um contrato de 128 milhões de euros, de 2011, revisto por duas vezes mas que continua sem sair do papel, com os trabalhadores a garantirem que a empresa poderá entrar a curto-prazo em incumprimento até ao final desta semana.

"Isso seria um duro golpe para o futuro da nossa empresa", rematou António Costa.

A venda da empresa, apenas com os russos da RSI Trading formalmente na corrida, está suspensa desde dezembro, devido a pedidos de esclarecimento apresentados pela Comissão Europeia ao Governo português, por dúvidas na atribuição de apoios estatais aos ENVC de 180 milhões de euros.

O ministro da Defesa já admitiu que esta investigação "inquina de forma dramática" o processo de reprivatização.