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Tempestade solar pode ser 20 vezes pior que o Katrina

Tempestades solares ocorrem cerca de 11 em 11 anos. O presente ciclo está prestes a iniciar-se e as suas consequências nas tecnologias do dia-a-dia podem ser devastadoras - 20 vezes pior do que o furacão Katrina.

João Oliveira (www.expresso.pt)

A actividade solar vai aumentar e isso pode afectar a Terra. Vários cientistas reuniram-se em Washington para discutir a melhor maneira de proteger os satélites terrestres e outros sistemas vitais durante uma tempestade solar.

As tempestades solares acontecem quando as manchas solares entram em erupção e libertam toneladas de partículas electromagnéticas que podem danificar os sistemas de comunicação da Terra.

Este tipo de actividade solar ocorre em ciclos de 11 anos e avizinha-se um novo período de actividade.

"O Sol está a voltar à actividade e nos próximos anos vão registar-se grandes níveis de actividade solar", afirma Richard Fisher, responsável pelo Departamento Heliofísica da NASA. "Ao mesmo tempo, a nossa sociedade tem evoluído para uma situação de grande sensibilidade às tempestades solares. Estivemos a discutir as consequências da combinação destes dois factores", acrescenta.

Más notícias para os aparelhos electrónicos

No século XXI, dependemos dos sistemas de alta tecnologia para as simples tarefas da nossa vida diária. No entanto, estes sistemas podem falhar com uma actividade solar intensa - GPS, viagens aéreas, serviços financeiros ou até serviços de emergência de rádio.

Uma grande tempestade solar pode causar estragos financeiros vinte vezes maiores do que o furacão Katrina, alerta a Academia Social de Ciências. Felizmente, a maior parte dos danos pode ser minimizada se se souber quando se aproxima uma tempestade, daí a importância de compreender a meteorologia solar e a capacidade de prever as tempestades.

Colocar os satélites em modo de segurança e desligar os transformadores ou carregadores pode proteger os aparelhos electrónicos.

Meteorologia espacial vai ser importante para prever tempestades

"A meteorologia espacial ainda está na infância, mas estamos a fazer grandes progressos", conta Thomas Bogdan, director do Centro de Previsão de Meteorologia Espacial da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica (ANAO).

A ANAO e a NASA estão a trabalhar juntas para monitorizar o sol e prever as suas alterações, com recurso a vários satélites. Duas naves espaciais - Observatório das Relações Terrestre e Solar (STEREO) - estão colocadas em lados opostos do sol cobrindo assim cerca de 90% da actividade solar.

Para além disso, o Observatório das Dinâmicas Solares (ODS), lançado em Fevereiro deste ano, fotografa as regiões solares activas com uma resolução espectral, temporal e espacial nunca antes vista.

O Explorador Avançado de Composição (OAC), no espaço desde 1997, continua a monitorizar os ventos provenientes do sol.

"Acredito que estamos perante uma era em que a meteorologia espacial influencia tanto as nossas vidas quanto a meteorologia terrestre", conclui Fisher. "Levamos este assunto muito seriamente", remata.