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Surto de legionella é o terceiro maior de sempre no mundo: 302 infetados e sete mortos

FOTO LUSA

Há mais dois óbitos em investigação. Atual surto só é superado por um no Reino Unido e outro em Espanha, cada um com quase 500 infetados.

É um dos maiores ataques da bactéria legionella registados no mundo: o surto que desde sexta-feira atinge o concelho de Vila Franca de Xira já fez 302 doentes e sete mortes. A Direção-Geral da Saúde revelou esta quarta-feira que há mais dois óbitos em investigação. Ou seja, o número de mortes provocadas pelo surto pode aumentar para nove.   

No balanço feito ao final da tarde desta quarta-feira, é ainda explicado que além das regiões de Lisboa (291 casos), Norte (quatro doentes) e Centro (quatro), há já também dois infetados hospitalizados no Algarve. Juntam-se ainda dois casos internados no estrangeiro, em Lima (Peru) e em Luanda (Angola). Nos arquivos mundiais de epidemiologia só há registos de duas situações com maior impacto.

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), no topo da lista está um surto no Reino Unido, em 2002, com 494 infetados e sete mortos. É seguido por uma contaminação em Espanha, um ano antes e com 449 doentes e seis vítimas mortais. No caso inglês, a bactéria propagou-se a partir de um sistema de ar de condicionado instalado num centro cultural em Barrow. Já aqui ao lado, o foco foram as torres de refrigeração de um hospital em Múrcia.

Portugal surge agora em terceiro lugar, destronando o Japão - que até agora ocupava a posição com 295 infetados e sete óbitos. Neste caso, o surto teve início num spa público em Miyazaki. Por cá, as suspeitas mais fortes sobre a origem do surto recaem na fábrica Adubos de Portugal (ADP Fertilizantes), em Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira. A confirmar-se - as análises conclusivas devem estar prontas esta quinta-feira -, os responsáveis pela unidade industrial podem vir a responder por crime ambiental. A sanção pode ir de uma multa de 5 milhões de euros, um a cinco anos de prisão por negligência ou mesmo oito anos de cadeia caso os juízes considerem ter havido dolo.

Apesar dos números sem precedentes, e que os especialistas afirmam que ainda vão aumentar, a resposta foi rápida. Pneumologistas, delegados de saúde ou infecciologistas, entre outros, explicam que a atuação foi muito atempada, quer na identificação do surto, quer na assistência, mesmo tendo sido necessário algum improviso para garantir camas para todos os doentes na região da capital.

Os maiores surtos de legionella ultrapassam o caso zero, que permitiu descobrir a doença dos legionários, em número de doentes mas não de mortes. Trinta e oito anos depois, nenhum surto foi tão mortífero quanto o primeiro. Terá contribuído o desconhecimento da doença e sobretudo do tratamento. Os contágios que levaram à descoberta da doença aconteceram em 1976, nos EUA, e somaram 180 doentes e 29 mortos. Aconteceu num hotel na Pensilvânia durante uma reunião da Legião Americana, a maior organização norte-americana de veteranos de guerra.