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Países de língua portuguesa vão criar centro de investigação do clima

Os países de língua portuguesa vão criar um centro internacional de investigação do clima aberto a todos os estados africanos. O centro quer ter uma importância estratégica para as regiões do Atlântico e do Índico.

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a preparar a criação de um centro internacional de investigação climática com sede em Cabo Verde e aberto a todos os estados africanos.

Vai chamar-se Centro Internacional de Investigação Climática e Aplicações para os Países de Língua Portuguesa e África (CIICLAA) "e poderá ter uma importância estratégica para o estudo do clima nas regiões dos oceanos Atlântico e Índico", explica Sérgio Ferreira, um dos dinamizadores do projecto.

O consultor e antigo director do Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique sublinha que "o CIICLAA vai lançar um desafio sério à actividade económica, porque quer que a investigação desenvolvida beneficie as empresas".

Parcerias com empresas

As parcerias com as empresas serão, assim, uma das apostas do futuro centro para financiar os seus projectos, que terão objectivos muito práticos, "o que pode também facilitar a obtenção de financiamento de programas internacionais", acrescenta Sérgio Ferreira.

João Corte Real, decano dos climatologistas portugueses, é outro dos dinamizadores do projecto do CIICLAA, e defende que "existe capacidade técnica e científica na CPLP para desenvolver programas e projectos internacionais na área do clima".

Mas o professor catedrático da Universidade de Évora chama a atenção para "a necessidade de haver um apoio político da CPLP", em particular uma "recomendação sobre o reconhecimento do novo centro de investigação". A Organização Meteorológica Mundial também já prometeu apoiar o futuro centro.

Estudar as Alterações Climáticas

João Corte Real salienta que a principal missão do CIICLAA é "estabelecer serviços de informação climática nos países membros". Estes serviços "devem ter por base investigação aplicada nos domínio do clima, variabilidade e Alterações Climáticas, bem como nos decorrentes impactos, riscos e medidas de adaptação".

As aplicações da informação meteorológica e climática ao apoio ao desenvolvimento sustentável serão também prioritárias no futuro centro, nos aspectos que relacionem o tempo e o clima com a qualidade de vida e a rentabilidade económica.

Para suportar as suas actividades será constituído o Fundo de Investigação Climática, com um orçamento de cinco milhões de euros, que será financiado maioritariamente por receitas dos projectos e por fontes internacionais.

Das catástrofes naturais ao papel da floresta

Para já, há cinco programas previstos: "Redução do risco de catástrofes naturais na CPLP", "Aplicações de detecção remota à gestão dos recursos naturais", "Papel da floresta no sequestro de carbono e sua relação com as alterações climáticas regionais", "Energia e clima", e "Clima e segurança alimentar".

A CPLP é constituída pelo Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste, e a proposta de criação do centro, actualmente em discussão, considera que "Macau mantém grandes afinidades com esta comunidade", podendo fazer parte deste projecto.

Na semana passada realizou-se no Departamento do Ambiente da Universidade de Aveiro a primeira reunião preparatória da proposta de criação do CIICLAA, com a participação de mais de duas dezenas de representantes de instituições de investigação portuguesas.

O objectivo é que o novo centro seja formalmente lançado em Novembro no II Workshop Internacional sobre Clima e Recursos Naturais nos Países de Língua Portuguesa, que terá lugar no Instituto Politécnico de Bragança.

No encontro da Universidade de Aveiro ficou claro que o CIICLAA será um centro de investigação não governamental, com autonomia administrativa e financeira, a ser enquadrado como Centro Especializado da CPLP, sendo desejo dos seus promotores que haja a adesão das principais instituições de investigação climática dos países de língua portuguesa e de África.