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Morreu o cineasta japonês Kaneto Shindo

Realizador do clássico "Gembaku no ho" ("Filhos de Hiroshima", 1952), considerado  obra-prima do cinema japonês,  Kaneto Shindo morreu aos 100 anos, em Tóquio.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Era centenário, mas ainda fazia cinema. O realizador e argumentista Kaneto Shindo, que na passada terça-feira faleceu de causa natural, na sua casa na capital japonesa, foi distinguido com o prémio especial do Festival de Cinema de Tóquio por "Ichimai no Hagaki", o seu último filme, rodado em 2010.

Conhecido por  clássicos como o "Gembaku no ho" ( "Filhos de  Hiroshima"), considerado obra-prima do cinema japonês, era também diretor de arte e produtor.

Em 2002, foi condecorado com a Ordem Imperial da Cultura do Japão.

49 longas-metragens

Escreveu 231 argumentos de filmes e dirigiu 49 longas. Fez de tudo, desde filmes de terror a realismo fantástico, passando por comédias. 

O seu comovente "Filhos de Hiroshima", de 1952, conta a história de uma professora que regressa a Hiroshima após o bombardeamento atómico.  Antes, já tinha dirigido duas outras longas e escrito argumentos para realizadores famosos, mas foi com "Gembaku no ho", considerado poderoso e desconcentante, apresentado no Festival de Cannes de 1953, que se projetou como cineasta.

Outros dos seus filmes mais conhecidos são "Hadaka no Shima" (1960), longa praticamente sem diálogos que retrata a vida de uma família de pescadores no mar Interior, ou "Onibaba" (1964), a também comovente história de uma mãe que não suporta ver a sua nora dormir com o amigo do seu filho, morto durante a guerra.

Shindo começou a carreira como assistente do diretor Kenji Mizoguchi, com quem aprendeu a ser argumentista antes de estrear na direção de "Aisai monogatari", em 1951.