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Morreu José de Oliveira Lopes

Corpo do barítono português, falecido ontem aos 71 anos, foi hoje cremado no Porto. 

Maria Luiza Rolim

Morreu o barítono José de Oliveira Lopes, considerado, por unanimidade do júri, como o melhor intérprete de Lieder no XIX Concurso internacional de Canto da Baviera, na Alemanha. O corpo do baixo português, que faleceu ontem aos 71 anos no Hospital de São João, foi hoje cremado no Porto.

Com mais de 1500 atuações como solista, em concertos, óperas e recitais por todo o mundo, atuou durante mais de 20 anos nas temporadas musicais do Teatro São Carlos e Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo contracenado com míticos cantores como Franco Corelli, Zylis-Gara, Kraus, Elly Amelling, Vanzo, Cotrubas, Bergonzi, Giacomini.

Representou em palco cerca de 40 personagens de ópera, com destaque para Don Alfonso (Così fan tutte), Conde de Almaviva (Le nozze de Fígaro), Albert (Werther), Sharpless (Madama Butterfly), Scarpia (Tosca), Bártolo ( Il Barbiere di Siviglia), orpheo (Orpheo ed Euridice), Mago Tcelio (Lámour dês trois Oranges), entre outras.

Foi figura principal em óperas portuguesas como Arsénio (Spinalba), Rei (Variedade de Proteu) e Prisioneiro (Em Nome da Paz).

Teve, ainda, uma breve passagem pelo cinema, como ator e cantor, desempenhando papéis, por exemplo, como o de apresentador no filme-ópera "Os Canibais" de Manoel de Oliveira e João Pães. Interpretou também as partes cantadas de Frohlo e Arcebispo na versão portuguesa do filme "O Corcunda de Notre Dame", das produções Disney.

José de Oliveira Lopes foi professor na Universidade de Aveiro, Academia Superior Metropolitana,  Escola Superior de Música do Porto e no Conservatório Nacional em Lisboa,  e era frequentemente convidado para masterclasses na Europa, Brasil, China, Japão, Rússia e USA. Iintegrava ainda, regularmente, júris de concursos internacionais de canto.

Foi solista de grandes orquestras como as sinfónicas de São Paulo e do Rio de Janeiro (Brasil), Denver (USA), Filarmónicas de Pequim, Moscovo, Bogotá e Varsóvia, entre outras, sob a direção de maestros consagrados como Eliot Gardiner, Maurice Gendron, Philipe Entremont e Dimitri Kitaenko.

Tem vários álbuns gravados com os pianistas Takashi Yamasaki, Noël Lee, Filipe de Sousa, Adriano Jordão e com as Orquestras Gulbenkian, da Rádio Húngara, da RDP e com a Sinfónica de Budapeste.

Em 2001, publicou "A voz, a fala e o canto",  sobre quatro décadas de prática musical e de pesquisa de técnica vocal.

José de Oliveira Lopes foi distinguido com o prémio Casa da Imprensa e está citado em obras de referência sobre a música portuguesa.