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Morreu Albino Aroso

O "pai" do planeamento familiar, o médico Albino Aroso, morreu hoje no Porto. Tinha 90 anos.

Isabel Paulo e Vera Arreigoso

Muito debilitado há duas semanas, morreu hoje de manhã, na sua casa, Albino Aroso Ramos, o médico portuense que ficou conhecido em Portugal como o pai do planeamento familiar.



Albino Aroso foi o responsável pela aplicação, logo a seguir ao 25 de abril de 1974, dos primeiros dispositivos intra-uterinos no país para permitir às mulheres um método anticoncepcional eficaz e moderno.

Por entender que só concentrando os partos nos locais com equipamentos e equipas bem treinadas estavam assegurados cuidados de qualidade, Albino Aroso era defensor do fecho de maternidades e de blocos de partos com pouca casuística.

A sua filosofia e empenhos fazem dele um dos nomes indissociáveis da redução da taxa de mortalidade infantil em Portugal, colocando o país ao lado dos mais desenvolvidos, tratando-se de um legado válido até aos dias de hoje.

Albino Aroso foi um dos 65 médicos de todo o mundo que a Associação Médica Mundial escolheu para figurar na lista de clínicos mais dedicados a causas públicas no campo da saúde, segundo lembrou hoje o diretor-geral da Saúde, Francisco George.

Terceiro filho de uma numerosa família de seis irmãos, perdeu o pai muito cedo, razão porque viu sempre associado o seu nome ao apelido da materno. Aos 24 anos conclui o curso de medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ingressando de seguida no Hospital de Santo António, onde viria a desempenhar o cargo de presidente do Conselho de Administração.



Em 1967, participou na fundação da Associação para o Planeamento da Família. Dois anos depois surpreende o país pelo pioneirismo, ao abrir a primeira consulta pública e gratuita de planeamento familiar.



Professor associado e jubilado de ginecologia/obstetrícia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Albino Aroso foi secretário de Estado do Ministro da Saúde entre 1989 e 1991, sendo ainda responsável pela Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal.



Nascido em Vila do Conde a 22 de fevereiro de 1923, Albino Aroso recebeu, em 2006, o I Prémio Nacional de Saúde em reconhecimento pela sua dedicação à causa da política de saúde familiar, contributo que levou a Associação Médica Mundial a colocar o seu nome na lista de 65 clínicos mais dedicados a causas públicas no campo da saúde.



O corpo de Albino Aroso vai estar em câmara ardente na Ordem da Lapa, no Porto.