Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Lisboa e Porto criam megainstituto de investigação em Astrofísica

José Afonso, coordenador do novo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço: "Queremos ganhar maior capacidade de intervenção nos projetos internacionais"

Nuno Botelho

Tem 100 investigadores, um grande impacto científico internacional, e resulta da fusão dos centros de astrofísica das duas maiores universidades do país.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Chama-se Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e acaba de ser criado pelas duas maiores instituições nacionais desta área: o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e o Centro de Astronomia e Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CAAUL).

Mais de 2/3 da comunidade científica portuguesa em astrofísica e ciências do espaço vai trabalhar no novo instituto, num total de cerca de 100 investigadores. A comunidade não é muito grande mas a investigação que desenvolve em Portugal é hoje a que tem maior impacto a nível internacional.

E na Europa, o nosso país ocupa o segundo lugar, a seguir à Dinamarca, quando esse impacto é medido em termos do número de citações internacionais dos artigos científicos publicados pelos astrónomos e astrofísicos portugueses em revistas de referência mundial.

 

Ganhar massa crítica

José Afonso, coordenador do IA, afirmou ao Expresso que um dos objetivos do novo instituto "é ganhar massa crítica para ter maior capacidade de intervenção nos projetos de investigação internacionais desde a sua conceção à sua concretização, e ter um acesso mais alargado aos financiamentos europeus".

O IA vai apostar num forte envolvimento em missões da Agência Espacial Europeia (ESA) como o EUCLID, sonda espacial a lançar em 2020 para observar galáxias distantes e perceber a estrutura do universo; o CHEOPS, que vai estudar a partir de 2017 os planetas fora do sistema solar; e o PLATO, sonda espacial que será lançada em 2024 com o objetivo de estudar estrelas e planetas extrassolares para tentar perceber como surgem condições para a emergência da vida.

O investigador reconhece que os dois centros que deram origem ao IA "já têm um peso muito grande a nível internacional" e o momento escolhido para a sua fusão "é o momento certo", apesar da conjuntura difícil que a ciência portuguesa atravessa em termos de financiamento.