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Sociedade

Interesse económico e cansaço dos médicos aumentam cesarianas

Estudo da Universidade de Aveiro atribui número elevado de 'partos cirúrgicos' em Portugal à pressão económica e laboral sobre os profissionais de saúde.

"Os interesses económicos do setor da saúde justificam em grande parte o aumento generalizado do número de partos por cesariana realizados nos últimos anos em Portugal", conclui Aida Isabel Tavares, investigadora da Universidade de Aveiro.

No estudo, em parceria com Tânia Rocha e agora conhecido, é afirmado ainda que o argumento económico tem influência no setor privado, mas não no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Garantem as autoras - do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial - que nos hospitais públicos o fator indutor de cesariana é "a falta de profissionais suficientes 'para que haja tranquilidade' na hora de decidir".

Por outras palavras: "Perante o cansaço causado por turnos prolongados, e na presença de trabalhos de parto morosos, a decisão pela cesariana tende a ser tomada para evitar a vigília médica durante a madrugada.

"No estudo é referido que entre 1999 e 2009 a OCDE revelou que o número de cesarianas por cada 100 nados-vivos nos hospitais do SNS e nas unidades privadas aumentou 70%. A tendência de crescimento mantém-se e coloca Portugal em patamares acima dos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Em 2010 o país registou uma taxa de cesarianas de 36%, um valor muito acima do recomendado pela OMS, que aponta que a taxa não deve ultrapassar os 15%". As razões para este limite são clínicas: "A saúde de mães e recém-nascidos pode ser afetada pela realização de cesarianas desnecessárias", lê-se também no estudo.