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Horas extra de trabalho prejudicam o coração

Durante onze anos, cerca de seis mil trabalhadores londrinos participaram num estudo sobre saúde e as horas extra de trabalho. Clique para visitar o canal Life & Style.

Isabel Lopes (www.expresso.pt)

Os cientistas alertam que fazer horas extra constantemente pode aumentar até 60% o risco de doenças cardíacas. Para tal, basta trabalhar mais três horas diárias do que a jornada normal de sete a oito horas, segundo um estudo publicado pelo "European Heart Journal". 

O estudo, intitulado Whitehall II, seguiu durante onze anos 6014 trabalhadores londrinos (4262 homens e 1752 mulheres) com idades entre os 39 e os 61 anos e sem qualquer patologia cardíaca. Deste total, 369 pessoas tiveram problemas cardíacos fatais, sofreram enfartes ou contraíram angina de peito.

Em vários casos, os cientistas detectaram uma relação forte entre as doenças cardíacas e as horas trabalhadas em excesso. E concluíram que entre os factores que explicam essa ligação estão a falta de tempo para relaxar e praticar exercício físico, o stress, a ansiedade e a depressão. 

Marianna Virtanen, coordenadora do estudo realizado pelo Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional de Helsínquia e pela Universidade College of London, sublinha que as conclusões ainda não são definitivas, sendo necessária mais investigação para explicar a relação entre o excesso de trabalho e as doenças cardíacas.

Dois aspectos que requerem um aprofundamento da investigação são de sinal contrário. Um deles é designado como "presentismo doentio", isto é, trabalhadores que mesmo doentes vão trabalhar. Os cientistas querem perceber qual a influência deste comportamento no risco das doenças cardíacas.   

O segundo tem a ver com as pessoas que trabalham  muitas horas a mais mas com prazer, situação que as poderá colocar a salvo das complicações cardíacas.