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História de Portugal que pode ser lida por 500 milhões de pessoas apresentada hoje em Lisboa

Nuno Severiano Teixeira coordenou o terceiro volume da História de Portugal, "A Crise do Liberalismo", que é apresentado esta tarde na Câmara de Lisboa

Esta nova História de Portugal está inserida num projeto que inclui Portugal, Espanha e mais sete países da América Latina. O terceiro volume, coordenado por Nuno Severiano Teixeira, é apresentado esta tarde na Câmara de Lisboa.

É uma nova maneira de contar os últimos 200 anos da América Latina e de Portugal e Espanha, as suas potências colonizadoras. Este megaprojeto de divulgação científica quer chegar ao público de nove países latino-americanos e a um universo habitado por 500 milhões de pessoas.

Supreendam-se todos os que aprenderam na escola que a República marcava uma clara rotura com a monarquia. O livro que é apresentado esta terça-feira por Guilherme Oliveira Martins revela que o modelo de governação que surge com o liberalismo, em 1820, só termina com o Estado Novo.

"A República é a fase final do modelo liberal iniciado com a monarquia constitucional", diz o historiador Nuno Severiano Teixeira ao Expresso. Existe uma clara continuidade na política externa, o nacionalismo e a defesa das colónias são exacerbados, a modernização económica não foi totalmente conseguida, Portugal entrou na Grande Guerra, os fluxos migratórios e a economia dependente do Altântico mantiveram-se.

Nuno Severiano Teixeira, coordenador deste terceiro volume da História de Portugal, que é apresentado esta tarde na Câmara de Lisboa, diz ao Expresso que um dos pontos "interessantes deste projeto" é o facto da história contemporânea de Portugal, Espanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Panamá e Peru "ser contada virada para fora, de forma a que possa ser lida" nos países com que esse país estabeleceu fortes ligações ao longo de vários séculos.

Em Portugal, no período em análise de 1890 a 1930, a urbanização é que contribuiu de forma decisiva para mudar o país e criar "uma nova realidade social". Essa nova realidade social deu "origem a uma nova realidade política. É neste universo, desenraizado das suas redes sociais e referências culturais do mundo rural que engrossa as massas urbanas que o partido republicano e o movimento socialista vão recrutar a sua base social".

Tal como hoje, a mudança operou-se nas várias formas de cultura e surgiram

"espetáculos urbanos onde o público, de jornal na mão ou sentado numa plateia,

em frente a um ecrã ou em torno de um aparelho de rádio, foi recriando hábitos

culturais que nada tinham de especificamente português", lê-se na introdução. Aos quais o nacionalismo encontrou os seus próprios mecanismos de resistência que surgiriam em pleno no Estado Novo.

Nuno Severiano Teixeira, coordenador e autor de um dos cinco capítulos deste livro recorda que a "interpretação historiográfica sobre a I República nunca foi unânime". A que foi aqui adotada "aproxima-se da visão que identifica o regime republicano de 1910-1926 como uma tentativa de superação do liberalismo oligárquico herdado do século XIX mas que destaca, ao mesmo tempo, a sua incapacidade para dar resposta positiva às tensões de modernização e democratização da sociedade portuguesa", pode ler-se na introdução.

Para garantir critérios de uniformidade científica, a história dos últimos 200 anos de cada um destes nove países latino-americanos que falam espanhol e português está organizada em cinco volumes. Cada volume, por sua vez, divide-se em cinco capítulos, que são sempre "os mesmos", explica Nuno Severiano Teixeira: vida política, relações com o exterior, processo económico, população e sociedade, e cultura.

Neste volume colaboram também os historiadores Paulo Jorge Fernandes, Álvaro Ferreira da Silva, António José Telo e Luís Trindade. A coordenação-geral dos cinco volumes desta História Contemporânea de Portugal é de António Costa Pinto e Nuno Gonçalo Monteiro e a edição para os nove países é da Fundação Mapfre e da editora Penguim, sendo vendida por pouco menos de 20 euros.