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Henrique Rosa vai ser sepultado com honras de Estado

Corpo do ex-Presidente de transição da Guiné-Bissau falecido quarta-feira, no Porto, foi hoje trasladado para Bissau, onde decorrerão as cerimónias fúnebres.

Maria Luiza Rolim

A Guiné-Bissau está de luto em memória do ex-Presidente de transição, Henrique Rosa, cuja morte ontem em Portugal, aos 66 anos, foi recebida com consternação nos países africanos de língua portuguesa, em especial em Bissau.

As cerimónias fúnebres, com honras de Estado, serão realizadas este fim de semana, em Bissau.

O empresário e político guineense faleceu, vítima de cancro, no Hospital de S. João, no Porto, onde estava internado há já vários meses. O seu corpo foi hoje trasladado para Bissau.

"Patriota amante da paz"

Henrique Rosa liderou o seu país entre 2003 e 2005, até às eleições presidenciais de julho daquele ano, tendo sido sucedido por João Bernardo 'Nino' Vieira, posteriormente assassinado.

Lendo um comunicado que traduz a decisão do Conselho de Ministros, Fernando Vaz, porta-voz do atual Governo de transição, afirmou que a morte de Henrique Rosa "representa uma perda irreparável para a República, num momento em que é  imperioso para a classe política a obtenção de largos consensos" no país.

O executivo, "reconhecendo os altos serviços prestados à República, deliberou que as cerimónias fúnebres terão honras de Estado", com a presença do Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, que hoje deverá regressar a Bissau depois de uma consulta médica na Alemanha.

Henrique Rosa candidatou-se às presidenciais antecipadas de 2009, obtendo quase um quarto dos votos, e com resultados expressivos em Bissau. Voltou a concorrer em 2012, escrutínio do qual só se realizou a primeira volta devido a mais um golpe de Estado, a 12 de abril passado, mas dessa vez só conquistou 5% dos votos. Foi um dos cinco candidatos que exigiram a "nulidade" da votação e qualificaram o processo eleitoral como "fraudulento".

Nascido em Bafatá, leste da Guiné-Bissau, filho de pai português e de mãe guinesse, o empresário, conhecido também pelo seu fervoroso catolicismo, entrou para a política ativa em 2003 como Presidente de transição, depois de o Presidente eleito, Kumba Ialá, ter sido derrubado num golpe militar.

Assumido "patriota amante da paz", Rosa foi empresário ligado às áreas dos seguros marítimos, comércio internacional e agropecuária. Foi dirigente desportivo e cônsul honorário da Costa do Marfim, tendo-se revelado "hábil" na gestão das várias crises políticas que atingiram a Guiné-Bissau", diz o site da DW África.

Segundo notícia divulgada pela RFI, "o desempenho de Henrique Rosa durante os dois anos em que foi Presidente foi elogiado pela comunidade internacional, os seus parceiros mais próximos tendo-o definido como a "personalidade ideal para o período de transição", um período que findou com as eleições presidenciais de julho de 2005, em que acabou por entregar a cadeira do poder a João Bernardo "Nino" Vieira.

"Trata-se de uma grande perda para a Guiné-Bissau e, também, para o mundo da Língua Portuguesa que assim se vê órfão de um dos defensores da democracia, do Estado de Direito e da CPLP", declarou o secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixador Murade Murargy.