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Harold Pinter (1930-2008)

O escritor britânico considerou a invasão do Iraque um acto de banditismo e terrorismo do Governo de  George W.Bush. 

Maria Luiza Rolim

Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura de 2005, é um dos grandes dramaturgos do séc.XX. Foi também actor, encenador, ensaísta, guionista de cinema e televisão. 

Em 50 anos de carreira, escreveu mais de 30 peças de teatro, tendo a sua produção estendido-se ao teatro radiofónico.  Venerado pelos militantes pacifistas e pela esquerda, destacou-se ainda pela sua intervenção cívica e política. 

Era crítico ferrenho de George W.Bush e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, da política externa dos EUA e do Reino Unido, em especial dos dossiês Afeganistão e Iraque.  Desde finais dos anos 80, participou em vários eventos políticos, tais como os protestos contra os bombardeios da Nato contra a Sérvia, a Guerra do Golfo ou a favor dos direitos dos curdos. 

A Academia Sueca distinguiu o dramaturgo que renovou a literatura britânica por este ter "recuperado para o teatro os seus elementos básicos: um espaço fechado e um diálogo imprevisível, onde as pessoas estão à mercê umas das outras". 

Para a Academia que concede o Prémio Nobel, Pinter era um autor que, "nas suas peças, revelava o abismo existente nas conversas banais e força a sua entrada nos espaços fechados da opressão". 

A entrega do galardão de 2005 ao homem que usava as palavras como "armas mortíferas" foi no entanto considerada, por alguns, como um "insulto para a literatura mundial".  

Autor liberal de esquerda, nem sempre admirado, provocou ao longo da sua vida muita polémica. Talvez por isso, preferiu assegurar que o seu legado caísse em boas mãos, tendo em 2007 vendido o seu arquivo (150 caixas com manuscritos, cartas pessoais, fotografias, etc.) à Biblioteca Britânica, por 1,1 milhão de libras. 

Paixão, vigor, ironia, brilhante retórica e humor negro dominavam os seus diálogos interrompidos habitualmente com silêncios misteriosos e pausas.

As referências do dramaturgo que não concebia escrever obras felizes eram Samuel Beckett, Franz Kafka e Ernest Hemingway. James Joyce e John Sebastian Bach eram os seus heróis. 

Era socialista, rico e pertencia à alta sociedade desde o seu casamento em 1980 com a historiadora Lady Antonia Fraser.   A mais recente encenação de uma peça sua, 'No Man's Land', está em cartaz em Londres. 

Morreu dia 24, em Londres, de cancro.