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Há cada vez mais imigrantes a dar trabalho a portugueses

Número de empregadores estrangeiros aumentou e o de portugueses diminuiu, revela um relatório. Independentemente do país de origem, do grau de instrução ou do motivo da vinda para Portugal, o estudo sublinha o importante papel dos imigrantes para a demografia do país.

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

Cada vez mais imigrantes dão trabalho a portugueses. A taxa de empregadores estrangeiros em Portugal subiu 15% nos últimos anos, ao contrário do número de patrões portugueses, que caiu 7% no mesmo período, segundo o relatório "Imigração em Números", apresentado esta sexta-feira na Assembleia da República.

De acordo com o documento, elaborado pelo Observatório das Migrações e apresentado por Pedro Lomba, o secretário de Estado que tutela a pasta, a importância relativa dos estrangeiros no total de empregadores em Portugal quase quadruplicou entre 1981 e 2011, um crescimento seis vezes superior ao registado entre os empresários nacionais.

O aumento dos empresários estrangeiros a residir em Portugal reflete uma mudança de perfil dos imigrantes no país, evidenciada pelo relatório. Até meados da década passada, os estrangeiros vinham sobretudo para trabalhar. Nos últimos anos, no entanto, o estudo e o reagrupamento familiar passaram a ser os principais motivos para a vinda. "Se é verdade que o número de estrangeiros em Portugal tem vindo a diminuir nos últimos anos, também é verdade que o país está a atrair e/ou reforçar novos perfis de imigração." Nos últimos anos mudaram os países de origem e as razões por que querem vir para Portugal.

Os motivos de entrada não são homogéneos para todas as nacionalidades. De acordo com a análise dos vistos de residência pedidos e concedidos, cabo-verdianos e brasileiros vêm sobretudo para estudar; chineses, ucranianos e moldavos vêm maioritariamente para se juntarem a familiares já residentes em Portugal.  

A crise e o desemprego levaram muitos imigrantes a partir para outros destinos. É difícil saber ao certo quantos deixaram Portugal, mas há dados que ilustram bem o êxodo de imigrantes nos anos mais recentes. Os alunos estrangeiros a frequentar a escola, por exemplo, caíram 23% entre 2008 e 2013, havendo um decréscimo de todas as nacionalidades, com exceção dos chineses, os únicos que aumentaram (mais 26%). 

No total, os brasileiros estão em maioria (quase 30% do total), seguidos de cabo-verdianos e ucranianos, que chegaram a ser, na década passada, a principal comunidade estrangeira em Portugal. O perfil socioeconómico também tem vindo a mudar - entre 2004 e 2012, o número de estrangeiros com habilitações médias e superiores aumentou 30%. Ainda assim, "em muitos casos continuam a ser canalizados para os trabalhos menos atraentes do mercado de trabalho português e/ou para empregos de baixas ou nulas qualificações", com condições de trabalho mais duras e elevados níveis de insegurança.

Independentemente do país de origem, do grau de instrução ou do motivo da vinda para Portugal, o relatório sublinha o importante papel dos imigrantes para a demografia do país: "Não só atenuaram os níveis de envelhecimento da população portuguesa, como também se revelaram importantes para o reequilíbrio dos dois sexos em Portugal, atenuando o predomínio de mulheres; por outro lado, com as suas últimas vagas, contribuíram para um povoamento mais equilibrado do território português", refere o documento do Observatório das Migrações, frisando que "o saldo financeiro da Segurança Social com os estrangeiros foi positivo".