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Estudo sobre colesterol ajuda a compreender cancro

Um estudo português pode ter influência no tratamento de cancros e consequências nos transplantes.

Um estudo de investigadores portugueses sobre os efeitos do colesterol nas células da medula óssea pode ter consequências em transplantes e para compreender melhor os cancros, anunciou hoje o Instituto Gulbenkian de Ciência.

Um grupo externo do instituto, liderado por Sérgio Dias, partiu do facto de níveis elevados de colesterol serem fatores de risco para o início e progressão de vários cancros.

Agora, os cientistas demonstraram que níveis elevados de colesterol podem mobilizar um maior número de células da medula óssea para o sangue periférico.

Células amadurecem na medula

As células sanguíneas desenvolvem-se na medula óssea, onde 'amadurecem' em micro-ambientes, chamados nichos, antes de saírem para o sangue periférico.

Fatores externos afetam esses nichos e consequentemente a produção de células 'maduras' do sangue e, por exemplo, pacientes com níveis elevados de colesterol (hipercolesterolemia) têm mais células sanguíneas periféricas e mais plaquetas sanguíneas (trombocitose).

Para este estudo, o grupo de Neoangiogénese, no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, utilizou um modelo de ratinho com hipercolesterolemia para demonstrar a situação.

Terapia para controlar colesterol

Assim, num "cenário de transplantação, acredita-se que os doentes com níveis elevados de colesterol poderão estar menos 'receptivos', visto que mais células sanguíneas estão a circular nos vasos periféricos", notou o autor principal.

Sérgio Dias informou ainda que esses doentes "poderão beneficiar de terapias que controlem os níveis de colesterol", acrescentando que com maior mobilização das células se possa criar "mais espaço onde células malignas se podem expandir e disseminar para outros órgãos".

Este estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e por uma empresa farmacêutica.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

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