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Carro arrastado para o rio com duas pessoas dentro

O troço da estrada nacional 224, lugar de Caracuste, freguesia de Várzea, em Arouca, onde se deu a derrocada

JOSÉ COELHO/LUSA

Troço da estrada nacional do concelho de Arouca onde uma derrocada provocou a morte de duas pessoas transformou-se numa "atração turística".

Uma derrocada hoje de manhã na estrada nacional 224, lugar de Caracuste, freguesia A derrocada que hoje matou dois homens em Arouca marca o dia no concelho, sendo a estrada com vista para o local do acidente ponto de paragem obrigatório para os populares, mesmo debaixo de chuva intensa.

Pouco antes das 10h, um deslizamento de terras no lugar de Caracuste, freguesia de Várzea, Arouca, arrastou para o rio Adra um carro, com dois homens, que seguia na estrada nacional 224, provocando a morte aos ocupantes.

Estando aquele troço de estrada cortado - de acordo com o presidente de Câmara e com o comandante dos bombeiros locais, só quando houver condições de segurança é que este será reaberto - é o viaduto da estrada nacional 326, que passa por cima da via onde o acidente ocorreu, que serve de miradouro para o local do deslizamento de terras.

Além dos jornalistas, que dali captavam as imagens, vários populares pararam, com os carros na berma e quatro piscas ligados e, apesar da chuva intensa, não resistiram à tentação de espreitar, comentar e até tirar fotografias.

O presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, lamentou à agência Lusa o acidente, considerando que os dois homens residentes no concelho foram vítimas de uma fatalidade: "Estavam no local errado, à hora errada".

O autarca garantiu ainda que foi dado "apoio psicológico imediato às famílias com a psicóloga que presta serviços à câmara". "Eu mesmo hoje estive para passar lá", confessou, explicando que o seu caminho acabou por seguir um curso diferente.

Também no café Chão de Ave, é esta tragédia que domina as conversas do dia, contando um dos funcionários do estabelecimento à Lusa que "o condutor da viatura, o Tiago, vinha todos os dias tomar aqui o café antes de ir trabalhar".

"Era para ter ido uma terceira pessoa no carro, mas acabou por ficar na pasteleira e não foi", conta ainda.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca - que estiveram no local com 30 homens e dez viaturas - explicou que a corporação retirou o carro do rio Adra, estando um dos homens na viatura e outro a cerca de um, dois quilómetros de distância, tendo as operações terminado cerca das 13h.

A estrada no local está cortada, num concelho onde os deslizamentos de terra e as derrocadas - fruto das características topográficas do concelho - são muito frequentes, mas onde, até hoje, nunca tinha acontecido uma tragédia desta dimensão.