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Advogado de Godinho surpreendido: "Não há uma única absolvição"

Artur Marques e Manuel Godinho à chegada ao Tribunal de Aveiro

Paulo Novais/Lusa

"Num processo desta dimensão, com este número de arguidos, com esta quantidade astronómica de imputações e de crimes, reparem não há uma única absolvição", disse Artur Marques à saída do Tribunal de Aveiro.

O advogado do empresário Manuel Godinho, Artur Marques, afirmou hoje que a condenação de 17 anos e meio de prisão do seu cliente, no âmbito do processo "Face Oculta", não é surpresa, mas sim a inexistência de absolvições.

"Sem nenhuma surpresa, se há coisa em que esta decisão me parece, digamos, coerente é com aquilo que era previsível no decurso do julgamento", afirmou Artur Marques, após a leitura do acórdão, no Tribunal Judicial de Aveiro.

O advogado realçou, contudo, uma "nota" que, no seu entender, foi "verdadeiramente uma surpresa, a única surpresa". "Num processo desta dimensão, com este número de arguidos, com esta quantidade astronómica de imputações e de crimes, reparem não há uma única absolvição", declarou Artur Marques para quem "isto é sintomático".

Questionado se esperava uma pena tão elevada, o advogado lembrou que "a pena pedida tinha sido 16 anos", adiantando nunca ter tido dúvidas "de que a pena aplicada iria ser superior à pena pedida pelo Ministério Público, não pelo processo em si".

"É evidente - tenho de dizer isto como é óbvio - estou na mais frontal discordância relativamente a esta decisão", salientou, acrescentando que, "obviamente", vai recorrer.

Manuel Godinho, que estava acusado de 60 crimes de associação criminosa, corrupção, tráfico de influência, furto qualificado, burla, falsificação e perturbação de arrematação pública, foi hoje condenado pela prática de mais de 40 crimes na pena única de 17 anos e seis meses de prisão.