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À conversa com o homem da vuvuzela

Mabhuti está em Portugal para ensinar a tocar vuvuzela, a corneta sul-africana transformada em instrumento oficial de apoio à selecção nacional de futebol.

Mafalda Ganhão (www.expresso.pt)

Os portugueses que preparem o fôlego. Neste Mundial de futebol, fã que se preze vai ter de soprar muito para apoiar a selecção. A ideia partiu de uma campanha publicitária da Galp que, numa nova iniciativa para envolver o país no entusiasmo próprio de um campeonato de futebol, trouxe para Portugal a vuvuzela - instrumento típico da África do Sul. Para que o som destas "cornetas" ecoe em uníssono e bem afinado, a empresa trouxe ainda um especialista em vuvuzela para ensinar os portugueses como a devem tocar. Nos anúncios e pelo país, o perito Mabhuti já começou a fazer-se ouvir...

Veio a Portugal para ensinar a tocar vuvuzela. Está a ser bem sucedido? Sim, estou a ter bastante sucesso. Quando cheguei, percebi imediatamente que os portugueses gostam muito de futebol e vivem-no de forma intensa. Já percorri várias cidades e as pessoas aderem à vuvuzela com entusiasmo. Isso faz-me sentir um embaixador do meu país e da sua cultura, o que me deixa orgulhoso.

Mas que tipo de instrumento é este? É um antigo instrumento de sopro que remonta à cultura tribal da África do Sul. Originalmente era feito a partir dos chifres dos animais e usado para chamar as pessoas. Acabou por ser adoptado pelas claques de futebol, agora feito, obviamente, de outros materiais. Com o Mundial a sua fama cresceu ainda mais.

E é fácil de tocar? Sim, muito fácil. Basta experimentar uma ou duas vezes para se apanhar o jeito. Não custa nada.

Portanto, não tem regras? Só me lembro de uma: não tocar perto dos ouvidos de ninguém, por razões óbvias...

Quem têm sido os seus alunos?~Ensino toda a gente. Da primeira vez que aqui estive ensinei dois dos jogadores da selecção portuguesa: Nani e Simão. Foi feito um anúncio e também tenho tido oportunidade de ensinar outras personalidades muito conhecidas, como a Cinha Jardim, alguns actores, modelos... Também vou estar nos postos de abastecimento da Galp. A ideia é que cada pessoa que aprenda vá passando a palavra. Outra iniciativa está a ser feita com o músico Laurent Filipe e envolve a formação de uma pequena orquestra com crianças a tocar vuvuzela. Tudo para apoiar a selecção portuguesa.

Parece uma missão divertida? Sim, muito. É esse o espírito. Para os fãs do futebol esta é uma forma divertida de festejar e apoiar as suas equipas.

Para um "fanático" por futebol como Mabhuti, ter o Campeonato do Mundo na África do Sul é um sonho, não? Nem o consigo descrever por palavras. Poder ver no meu país estrelas como o Ronaldo, Nani e os melhores jogadores das diferentes selecções... Estou muito orgulhoso e muito feliz.

Ao que sei também sonhou ser futebolista profissional... Era o meu sonho, sim. No bairro onde cresci o futebol era tudo. Todas as crianças comiam, bebiam e respiravam futebol. Não me concentrava em mais nada, escola incluída. Mas a minha mãe dizia-me sempre que era preciso estudar, que o futebol não era tudo. Não passei de jogador amador, mas, como fã, sofro imenso e vejo os jogos todos. Acho que acabei por realizar o meu sonho através da vuvuzela. Afinal, estou aqui a representar o meu país e toda a cultura associada a este desporto.

É a segunda vez que vem a Portugal. Que impressões tem do país? É muito bonito, com uma cultura antiga interessante. Eu conhecia os principais clubes - Porto, Benfica, Sporting -, mas não sabia que existiam clubes centenários, com tanta história. Vou ter muito para contar quando regressar.

Claro que já foi assistir a um jogo cá? Fui ao Estádio da Luz ver o último jogo do Benfica. Que ambiente incrível... Fartei-me de tirar fotografias. Levei a vuvuzela e toda a gente me sorria, nunca vi nada assim. E depois nas ruas... que festa imensa. Adorei.

Esta é uma entrevista escrita. Para quem não conheça ainda a vuvuzela, como descreveria o seu som? Acho que posso dizer que soa como um elefante risos.

(Texto original publicado na Revista Única  da edição do Expresso de 15 de Maio de 2010)