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SUV com aditivo

A Seat decidiu dar destaque à sigla Cupra, que até aqui serviu para identificar as versões mais desportivas do construtor espanhol. A Cupra ganha estatuto de marca e o Ateca é o primeiro modelo. O jornalista da SIC e do Volante, Rui Pedro Reis, foi a Barcelona pôr à prova os 300cv deste SUV que vem intrometer-se num mercado de pesos pesados como o Porsche Macan

RUI PEDRO REIS/SIC EM BARCELONA, ESPANHA

À primeira vista, um SUV desportivo é coisa que faz tanto sentido como um superdesportivo com sete lugares. Mas a engenharia permite hoje dar um toque de emoção a automóveis que à partida tinham tudo para ser enfadonhos. Foi essa a razão para escolher o Ateca como modelo de estreia para a Cupra. A estratégia da Seat passa por criar uma marca aspiracional, por enquanto apenas com um modelo partilhado mas com planos para outras apostas, em que constam modelos exclusivos que não vamos ver na estrada com os dois emblemas. A Cupra tem ambições de conquistar uma clientela premium a que a Seat não consegue chegar.

CINCO SEGUNDOS EMOCIONANTES

Neste primeiro contacto com o Cupra Ateca, tive oportunidade de o guiar em autoestrada e e em percurso de montanha, com um troço cortado ao trânsito onde foi possível desafiar os limites do novo SUV. O motor 2.0 com 300cv já o conhecemos do Seat Leon Cupra. Claro que as prestações não podem ser comparadas, mas ao Cupra Ateca não falta um sistema Launch Control que o impulsiona dos 0 aos 100 km/h em 5,2 segundos. Mesmo com um chassis rebaixado face ao Seat Ateca, a sensação de velocidade é menor do que num hot hatch.

Em curva, o Cupra Ateca revela-se surpreendentemente rigoroso. O sistema 4Drive, que também já era conhecido do Seat León ST Cupra, mostra a eficácia dos sensores que analisam a tração de cada roda de forma independente e fazem ajustes milimétricos para manter o carro na trajetória ideal. A suspensão tem a firmeza necessária e os travões Brembo fazem o trabalho que se lhes exige. Há ainda uma sonoridade do motor interessante, em especial ao nível das quatro saídas de escape, sem artifícios.

O peso deste automóvel fica escondido por trás de um dinamismo que consegue ser entusiasmante. Onde os quilos a mais se revelam é no consumo. Neste teste, terminei acima dos 9 litros aos 100. Acredito que numa utilização quotidiana seja possível conseguir um número mais baixo, mas é preciso ter alguma contenção no acelerador, o que neste caso não faz muito sentido. O seletor de modos de condução permite ajustar a personalidade do Cupra ao terreno que está a pisar: Confort, Sport, Individual, Neve, Offroad e um modo Cupra que é exclusivo deste modelo e que lhe revela a personalidade irreverente. Mas é sempre uma irreverência q.b., numa proposta em que é possível levar os miúdos à escola com espaço mais do que suficiente e ao fim de semana fazer umas incursões por estradões de terra com o controlo de tração desligado.

UM INTERIOR PARA SENTIR

Há pormenores de Alcantara um pouco por todo o interior do Cupra Ateca. Bons materiais, agradáveis ao toque e uma qualidade de construção com a garantia da Seat. Os bancos Recaro, opcionais, são um bom investimento. Não só garantem um visual mais desportivo como permitem um apoio em curva bem melhor que o dos bancos de série. O volante com o logo Cupra é o elemento que mais confere essa sensação de qualidade. E por falar no logo Cupra, aqui apresentado em cor cobre, dá-lhe um aspeto de carro do Batman que não deixa de ter piada.

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UMA CLASSE À PARTE

O objetivo da Seat é que a Cupra seja, mais do que uma marca, uma filosofia de vida. Uma fórmula que já se viu aplicada por outros emblemas e com resultados práticos. Os concessionários vão ter espaços dedicados e com decoração própria. Numa fase inicial vão ser perto de 280 na Europa. O primeiro em Portugal já foi inaugurado no final do ano, em Lisboa. Com um ambiente onde dominam os tons cinza e cobre, o espaço pretende conferir uma imagem de requinte, dinamismo e exclusividade.

O grande desafio da Cupra é afirmar-se num segmento onde por enquanto não tem concorrentes diretos mas onde há muita oferta alternativa, ainda que com outro ADN. E depois há a questão do preço. Mais de 50.000 euros pode comprometer parte do sucesso deste Ateca. Por outro lado, é mais um elemento que lhe confere exclusividade. Tivesse a Seat optado por um Cupra Arona (que pode vir a ser realidade) e teria um modelo com maior potencial de vendas. Mas a escolha não foi por acaso. E de uma coisa a marca de Martorel já se pode orgulhar: mesmo sendo idêntico ao Seat Ateca, o Cupra é uma daqueles carros que por onde passa deixa a sua marca.

Motor
1984cc
300cv
400nm entre as 2 000 r.p.m. e as 5200 r.p.m.

Transmissão
Integral
Caixa DSG 7 Velocidades

Prestações
247km/h vel. máxima
5,2s 0-100km/h

Consumos
8,5/100km ciclo misto WLTP
192g CO2/km WLTP

Preço €52.400