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Enfermeiros suspendem greve, mas só até quinta-feira

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Para já, a greve nos blocos operatórios está suspensa por quatro dias. Sindicatos dizem que só a desconvocam se forem assumidos os compromissos exigidos na reunião marcada pelo Ministério da Saúde para quinta-feira.

Os enfermeiros vão suspender a greve nos blocos operatórios, que estava agendada para segunda-feira, mas só a desconvocam se forem assumidos os compromissos exigidos pelos sindicatos na reunião com o Ministério da Saúde, marcada para quinta-feira.

A greve com início agendado para segunda-feira e convocada até 28 de fevereiro fica assim suspensa por quatro dias. A reunião de quinta-feira foi convocada pelo Ministério da Saúde e contará com os sindicatos dos enfermeiros e membros do Governo, como pedido.

"Neste momento queremos mostrar que estamos disponíveis para chegar a um entendimento. O Governo cumpriu a sua palavra. Nós, de boa-fé, mantemos a suspensão [até quinta-feira]. Se a greve acontece ou não depende dos resultados da reunião", disse à Lusa a dirigente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) Lúcia Leite que, em conjunto com o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), integra uma das mesas negociais, com representantes do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças, que têm negociado a revisão da carreira de enfermagem.

Na reunião de sexta-feira, os sindicatos não conseguiram que o Governo assinasse o memorando de entendimento proposto pelas estruturas representativas dos enfermeiros, ainda que reconheçam que o executivo cedeu em algumas das exigências dos profissionais, como a criação da categoria de enfermeiro especialista e o descongelamento das progressões na carreira para todos os enfermeiros. Mas, sem um documento que comprometa o Governo em relação a todas as reivindicações dos enfermeiros, que esperam ver assinado na quinta-feira, a greve não será desconvocada.

Referindo-se a declarações da ministra da Saúde, Marta Temido, que — no lançamento do programa de financiamento do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, na sexta-feira, disse querer para os enfermeiros condições de equidade com outras profissões, sem pôr em causa a sustentabilidade das contas públicas — Lúcia Leite disse que os enfermeiros "não vão abdicar" dessa equidade.

Segundo a dirigente sindical, a reunião de quinta-feira contará com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido, e representantes do Ministério das Finanças.

A ronda negocial relativa à carreira de enfermagem resultou em algumas cedências aos profissionais — como a criação da categoria de enfermeiro especialista e o descongelamento das progressões na carreira — mas não em todas as reivindicações sindicais, que exigem também aumentos salariais e a antecipação da idade da reforma.

A greve (que era para se iniciar na segunda-feira) segue o modelo da que ocorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro e conta com recolha de dinheiro numa plataforma 'online' para ajudar a financiar os colegas durante a paralisação. A anterior conseguiu reunir 360 mil euros e esta contava já com 403 mil euros, no início da tarde deste sábado. Se avançar, a greve afetará os blocos cirúrgicos de sete centros hospitalares no Porto, Braga, Vila Nova de Gaia/Espinho, Entre Douro e Vouga, Tondela/Viseu e Almada.