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Suspeitos de Tancos só vão ser ouvidos na terça-feira

Os paióis nacionais de Tancos foram assaltados na noite de 27 para 28 de junho do ano passado

Nuno Botelho

Esta segunda-feira mais oito pessoas foram detidas na sequência de várias buscas realizadas no centro do país e no Algarve

Os oitos detidos no âmbito da investigação ao assalto a Tancos só vão ser presentes a juiz para aplicação das medidas de coação esta terça-feira, apurou o Expresso. Portanto, vão dormir pelo menos uma noite na prisão e então ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Esta segunda-feira, a Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ e o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) realizaram várias buscas na zona centro e no Algarve no âmbito da Operação Húbris II, que acabou com a detenção de oito pessoas. Em causa estão os crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes.

Há três meses, já outras nove pessoas haviam sido detidas no no final de setembro, na primeira fase da Operação Húbris. Destas, só o coronel Luís Vieira, ex-diretor da PJM, e um dos alegados autores do assalto de Tancos ficaram em prisão preventiva. Uma medida que foi, também esta segunda-feira, foi renovada por mais três meses.

Há umas poucas semanas uma décima foi constituída arguida. Ou seja, são dezoito os detidos no total das duas operações.

A 29 de junho de 2017 os paióis nacionais de Tancos foram assaltados. O armamento roubado, segundo a investigação, foi levado para uma propriedade da família de um ex-fuzileiro, perto de Tomar e apenas a 20 quilómetros de distância do local do assalto. Terá sido aí que as armas ficaram escondidas entre junho e outubro desse ano.

Durante o verão, a Polícia Judiciário Militar (PJM) e a GNR de Loulé combinaram com João Paulino a entrega das armas, numa operação encoberta e sem o conhecimento da Polícia Judiciária e do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Na madrugada de 20 de outubro, os assaltantes devolveram a maior parte do material de guerra, que ficou depositado num baldio na Chamusca. A PJM encenou a entrega, simulando um telefonema anónimo para o piquete desta força policial.

Entretanto, e na sequência deste caso, já se demitiram Azeredo Lopes, ministro da Defesa, e Rovisco Duarte, chefe do Estado Maior do Exército (CEME).