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Emigração desce para o valor mais baixo desde 2012

Tiago Petinga/LUSA

Revisão das estatísticas de emigração durante a crise mostra que afinal, entre 2011 e 2014, quase meio milhão de portugueses deixou o país. Remessas atingiram o valor mais alto de sempre no ano passado, mostra o Relatório da Emigração 2017 agora divulgado. Reino Unido continua a ser o principal destino

Estima-se que 90 mil portugueses tenham emigrado em 2017. É o número mais baixo dos últimos cinco anos e já longe do pico de 120 mil saídas em 2013, mas mantém-se num “patamar elevado”. E não é expectável que a curto prazo regresse aos níveis anteriores à crise, conclui o “Relatório da Emigração 2017”, da Secretaria de Estado das Comunidades, apresentado esta segunda-feira, em Lisboa.

Revistas as estimativas de emigração durante a crise, conclui-se agora que 425 mil portugueses deixaram o país entre 2011 e 2014. Só em 2013 foram 120 mil saídas e em 2014 foram 105 mil, segundo as estatísticas de entrada nos vários países, recolhidas pelo Observatório da Emigração do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

“A nova fase de declínio ligeiro mas sistemático da emigração a partir de 2014 explica-se pela retoma do crescimento económico em Portugal, expresso na revitalização do mercado de trabalho, com crescimento do emprego e descida do desemprego”, lê-se no documento.

“A emigração, no entanto, não se reduziu com a mesma velocidade da recuperação económica.” E isso, segundo o relatório, justifica-se pelo facto de terem sido criadas e renovadas as redes de emigração, que “tornam hoje mais fácil e provável a escolha da emigração como trajetória de mobilidade, mesmo com incentivos económicos mais reduzidos”.

Mas a descida está também “fortemente correlacionada” com a redução da atração de países de destino, “como o Reino Unido, devido ao efeito Brexit, e Angola, devido à crise económica desencadeada com a desvalorização dos preços do petróleo”.

Ainda assim, a emigração deverá continuar elevada. “É improvável, nos próximos anos, uma redução do volume da emigração para níveis anteriores à crise, apesar da retoma do crescimento da economia portuguesa. Esta tendência poderá, no entanto, ser alterada por efeito de fenómenos como o Brexit, que afeta o principal destino da emigração portuguesa, responsável por quase 30% das saídas nos últimos anos.”

E para onde foram os portugueses em 2017?

O Reino Unido continua a ser o principal destino com 23 mil portugueses a entrar no país em 2017. Apesar disso, o número de entradas teve uma quebra de 26%, “cinco vezes superior à ocorrida no ano anterior (5%)”, refere o relatório. Os “efeitos de insegurança introduzidos pelo Brexit” são uma das possíveis explicações.

Também a emigração para Angola diminuiu 24% no ano passado, com um total de 3 mil entradas.

A seguir ao Reino Unido, para onde saíram 23 mil portugueses em 2017, está a Alemanha, França, Suíça e Espanha como destinos preferidos. Fora da Europa, os principais países de destino fazem parte da CPLP, como é o caso de Angola, Moçambique (mil saídas em 2016) e Brasil (mil saídas em 2015). Os portugueses continuam a representar uma “parte importante” das novas entradas no Luxemburgo (14%), em Macau (6,5%) e na Suíça (6,3%).

As entradas em Espanha têm aumentado desde 2014, com uma subida de 18% no ano passado. Estados Unidos, Islândia e Suécia também registaram aumentos, ainda que muito ligeiros e em pequeno número.

Um recorde nas remessas

Portugal continua a ser, em termos acumulados, o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente. Atualmente há cerca de 2,3 milhões de portugueses pelo mundo, ou seja, 22% dos portugueses vivem fora de Portugal.

Olhar para os indicadores sociais e económicos nacionais e dos países para onde os portugueses emigram permite ver que tanto o PIB per capita e o índice de desenvolvimento humano em Portugal são “inferiores aos dos principais países de destino da emigração com origem no seu território e superiores aos dos principais países de origem dos imigrantes que recebeu nos últimos 40 anos”.

O mesmo acontece no mercado de trabalho. “Portugal tem uma taxa de desemprego superior à dos principais países de destino da sua emigração e inferior à observada nos principais países de origem da sua imigração.”

Em 2017, as remessas chegaram aos 3,55 mil milhões de euros, representando 1,8% do PIB. “Trata-se do maior valor de sempre, sendo a primeira vez que é ultrapassada a barreira dos 3,5 mil milhões de euros (o pico anterior tinha sido verificado no ano 2000, com 3,46 mil milhões).”

O relatório apresentado esta segunda-feira no Ministério dos Negócios Estrangeiros reúne informação do Observatório da Emigração, da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e do Instituto Camões.

  • Número de portugueses detidos no estrangeiro em 2017 diminuiu para 168

    Dos portugueses presos em 2017, a maioria (104) está na Europa, enquanto no resto do mundo há 64. O relatório, elaborado pelo Observatório da Emigração, refere que sobre os motivos de detenção, o tráfico de droga “continua a ser o que apresenta um valor mais expressivo”, com 18 casos