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Caso Tancos. Militar está a ser ouvido pela PJ e MP mas não foi detido

PAULO NOVAIS / EPA

PJ foi a quartel e levou militar para ser inquirido como testemunha. Caso tem no total 18 arguidos

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

Para além dos oito detidos esta segunda-feira na segunda parte da Operação Húbris, há um militar do Exército que está a ser ouvido pelos investigadores da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ e os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

O Exército chegou a dizer que o militar tinha sido detido, mas esclarece agora que o elemento acompanhou a PJ "voluntariamente" para ser "inquirido" depois de ter recebido "um mandado de comparência imediata". Quer dizer: vai ser ouvido como testemunha e, pelo menos para já, não é arguido no processo.

Esta segunda-feira, as autoridades realizaram várias buscas na zona centro e no Algarve no âmbito da Operação Húbris II. Foram detidos oito suspeitos pelo assalto os paióis nacionais de Tancos na madrugada de 28 de junho de 2017. Há três meses, tinham sido detidas nove pessoas e uma décima foi constituída arguida há poucas semanas. Ou seja, são dezoito os detidos no total das duas operações.

Estão em causa crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes.

Esta é a segunda parte de uma ação iniciada em setembro e que levou nessa altura à detenção de cinco elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM), de três militares da GNR de Loulé e o civil João Paulino. Tanto Paulino como o ex-diretor da PJM encontram-se em prisão preventiva. Já o major Vasco Brazão, investigador e ex-porta voz daquela polícia está em prisão domiciliária sem pulseira eletrónica.

O que está em causa em Tancos

De acordo com a investigação, os assaltantes terão levado o armamento de guerra furtado para uma propriedade da família deste ex-fuzileiro, situada perto de Tomar e apenas a 20 quilómetros de distância dos paióis do Exército.

As armas e munições de Tancos terão ficado aí escondidas entre junho e outubro desse ano.

Nesse verão, a PJM e a GNR de Loulé combinaram com João Paulino a entrega das armas, numa operação encoberta e sem o conhecimento da PJ e DCIAP.

Na madrugada de 18 de outubro, os assaltantes devolveram a maior parte do material de guerra, que ficou depositado num baldio na Chamusca. A PJM encenou a entrega, simulando um telefonema anónimo para o piquete desta força policial.

O armamento foi transferido pela PJM para o quartel de Santa Margarida nessa mesma manhã. E durante cinco horas, uma brigada de inspetores da PJ foi impedida de entrar nas instalações do Exército, gerando uma guerra entre PJ e PJM.

Já em outubro, Azeredo Lopes demitiu-se do Governo, após as declarações do major Vasco Brazão, investigador da PJM e arguido no caso, de que o então ministro tinha conhecimento da operação de encobrimento da PJM para a devolução das armas de guerra.

Cinco dias depois, foi a vez de Rovisco Duarte, chefe do Estado Maior do Exército (CEME), pedir a demissão do cargo.

Foi entretanto aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso que irá ouvir pelo menos 63 personalidades. Entre elas estarão dois dos principais arguidos do assalto: João Paulino e Paulo Lemos, conhecido como 'fechaduras'. A CPI irá começar os seus trabalhos em janeiro.

Na operação desta segunda-feira, participaram três magistrados do Ministério Público e oitenta e cinco investigadores da PJ. Os oito detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para aplicação das medidas de coação.