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“O atual modelo de formação da Guarda é adequado”, diz Comandante-geral da GNR

Num boletim interno da GNR, o tenente-general Luís Botelho Miguel admite que as notícias sobre o excesso de violência no curso de Portalegre “acarretam um impacto negativo para a imagem da Guarda”

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

As imagens de instruendos da GNR a serem alvo de agressões por parte de um formador, durante o 40.º curso daquela força policial, em Portalegre, "acarretam forçosamente um impacto negativo para a imagem da Guarda", isto porque "cada um dos cerca de 23 mil militares que a compõem têm a responsabilidade institucional de a representar", pode ler-se num boletim interno da GNR, escrito pelo comandante-geral da GNR, o tenente-general Luís Botelho Miguel.

No documento dirigido aos 23 mil militares da GNR, a que o Expresso teve acesso, o responsável máximo da GNR assegura que "a devido tempo, para além do integral apuramento, pelas instâncias próprias, de todas as responsabilidades individuais sobre este caso", ressaltará que "o atual modelo de formação da Guarda é adequado".

Luís Botelho Miguel pede que se evite a "tentação das generalizações, sempre perigosas e injustas", apelando aos militares para que continuem "focados" na sua missão, "que é a missão da Guarda". Garante também que a corporação "tem mantido uma postura de total disponibilidade, no sentido de prestar a colaboração necessária às investigações de âmbito disciplinar e criminal que estão em curso".

Recorde-se que as agressões no curso de bastão extensível, cujas imagens foram divulgadas nos últimos dias, estão a ser investigadas pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e pelo Ministério Público.

Este é o primeiro caso de excesso de violência detetado e investigado pela IGAI durante formações de forças policiais nos últimos cinco anos. O último tinha acontecido em 2013, num curso da PSP. Os responsáveis foram então punidos.

Ao Expresso, um instrutor de um curso semelhante, apelidado de 'Red Man' devido à cor do equipamento usado durante a instrução, garante que o que se passou em Portalegre nunca devia ter acontecido: "Aquilo não é dar formação, é dar porrada".

As primeiras imagens do vídeo foram divulgadas há precisamente uma semana pelo "Jornal de Notícias".