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Uso malicioso de imagens na Net detetado por sistema criado em Aveiro

KIRILL KUDRYAVTSEV/Getty

Proposta da Universidade de Aveiro foi uma das três selecionadas na competição lançada pelo Strategic Communications Centre of Excellence, que deu forma ao desafio lançado pela Organização do Tratado Atlântico Norte a especialistas em Informática e Sistemas Inteligentes, com o intuito de combater mensagens extremistas na Internet

A solução da Universidade de Aveiro (UA) para detetar o uso malicioso de vídeos e fotos na Net foi uma das escolhidas para ser apresentada à NATO, dia 10 de dezembro, em Riga, capital da Letónia, anunciou nesta sexta-feira a instituição académica.

A proposta da Universidade de Aveiro foi uma das três selecionadas na competição lançada pelo Strategic Communications Centre of Excellence (NATO stratcom), que deu forma ao desafio lançado pela Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO na sigla em inglês) a especialistas em Informática e Sistemas Inteligentes, com o intuito de combater mensagens extremistas na Internet.

"Numa época em que as redes sociais são cada vez mais usadas para difundir mensagens extremistas e onde fotografias e imagens são manipuladas constantemente, a competição lançada pela NATO stratcom desafiou investigadores de todo o mundo a apresentarem soluções para combater uma realidade que a organização considera ser "um risco claro para a segurança da Aliança Atlântica", refere uma nota da Universidade de Aveiro.

O objetivo da NATO é o de detetar conteúdo malicioso em vídeos e fotos online, que pode ir desde propaganda política extremista até alterações ou descontextualização de imagens. "O universo online é muito sensível a este tipo de informação, especialmente porque a faixa etária predominante na Internet é a mais jovem", aponta Daniel Canedo, da equipa de investigação, observando que "facilmente se consegue moldar uma mente jovem através da Internet, e quem cria esse conteúdo malicioso está bem ciente desse fenómeno".

A ideia apresentada pela equipa da UA passa pelo desenvolvimento de um sistema capaz de analisar imagens, sejam em formato vídeo, sejam em fotografia. Em primeiro lugar o sistema vai esmiuçar os objetos, pretendendo-se que no final da análise todos os objetos presentes nas imagens estejam rastreados, de forma a que sejam ou não identificados aqueles que possam estar potencialmente ligados a grupos extremistas. O dispositivo informático permitirá também concluir se as imagens são originais ou se sofreram qualquer tipo de manipulação.

Por último, o sistema desenvolvido pela UA terá a capacidade de analisar a informação extraída das imagens, enquadrada com as eventuais mensagens que a possam acompanhar como 'posts'(publicações), ou comentários a elas ligados nas redes sociais. "Com base na informação extraída das imagens e dos conteúdos textuais dos 'posts' que possam estar associados, o nosso sistema classificará o risco dessa informação, utilizando técnicas de mineração de dados [exploração de grandes quantidades de dados em busca de padrões consistentes] e classificadores [treino de algoritmos para aprenderem padrões e fazerem previsões a partir de dados]", explica Daniel Canedo.

Daniel Canedo, a par de António Neves, José Luis Oliveira, Alina Trifan e Ricardo Ribeiro, todos especialistas em Informática do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA) da UA e do respetivo Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), assinam o projeto com que a equipa portuguesa concorreu ao NATO stratcom.