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Sociedade

Estudo sobre 102 tartarugas marinhas encontra resíduos de plástico em todas

Mark Kolbe/Getty

É mais um indicador da dimensão da poluição dos oceanos por esse material sintético moderno

Luís M. Faria

Jornalista

Um estudo realizado sobre tartarugas marinhas e agora publicado na revista Global Change Biology confirma até onde vai a poluição do mar pelos plásticos. Em todos os espécimes examinados por um grupo de investigadores, cobrindo as sete variedades conhecidas desse tipo de animal, havia resíduos de plásticos.

As tartarugas eram originárias dos oceanos Atlântico e Pacífico, bem como do Mediterrâneo. Escrutinando partes do intestino dos animais através de um microscópio digital, os cientistas das Universidades de Plymouth e Exeter procuraram partículas com menos de cinco milímetros.

Para surpresa dos investigadores, ou talvez não, havia uma média de 150 partículas em cada tartaruga, com algumas a chegar às 500. Pneus, roupa, cordas e redes de pesca destacam-se entre as fontes mais frequentes dessas partículas.

Notando a incerteza que existe quanto aos eventuais efeitos negativos do fenómeno (as partículas "poderão transportar matéria contaminada, bactérias ou vírus, ou poderão afetar a tartaruga a um nível celular ou subcelular") os cientistas dizem que não sentem os resultados obtidos como um sucesso.

Um deles resumiu a extensão do problema: "No nosso trabalho ao longo dos anos, encontramos microplásticos em quase todos as as espécies de animais marinhos que estudámos, desde zooplancton minúsculo na base da cadeia alimentar marinha até larvas, golfinhos e agora tartarugas".