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População em risco de pobreza diminuiu em 2017

Presidente da República com sem-abrigo em Lisboa

José Sena Goulão / Lusa

A taxa de risco de pobreza baixou para 17,3%, o valor mais baixo desde 2003, segundo os dados do INE. Apesar de ter diminuído entre as crianças e jovens, aumentou entre os idosos. As desigualdades económicas também se reduziram, apesar de continuarem a ser grandes

A taxa de risco de pobreza voltou a descer no ano passado, para 17,3%, segundo os dados provisórios divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta taxa reflete a percentagem de pessoas em Portugal que, em 2017, viveram com um valor mensal inferior a 468 euros.

Comparando com anos anteriores, conclui-se que a taxa baixou um ponto percentual em relação a 2016 (18,3%), assim como também é mais reduzida do que no pico da crise, quando atingiu os 19,5% em 2013 e 2014. Segundo os dados disponíveis do INE, a taxa registada em 2017 é a mais baixa desde 2003. Ainda assim, tendo em conta a população residente, isso significa que aproximadamente 1,7 milhões de portugueses viveram no ano passado com menos de 468 euros por mês, ou seja, abaixo do limiar de pobreza.

As estatísticas recolhidas pelo INE com base no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2018 sobre rendimentos do ano passado, mostram que a percentagem de crianças e jovens em risco de pobreza também diminuiu (de 20,7% para 18,9%), embora seja reflexo de que quase um quinto dos jovens com menos de 18 anos são pobres.

Já entre a população idosa, outro dos grupos mais vulneráveis, a taxa de risco de pobreza aumentou de 17% para 17,7%, mais alto do que durante o período da crise.

Se entre a população empregada a pobreza diminuiu (de 10,8% para 9,7%), entre os desempregados voltou a aumentar. "Apesar da população desempregada continuar a diminuir, o aumento da linha de pobreza relativa refletiu-se num novo aumento do risco de pobreza: de 44,8% em 2016 para 45,7% em 2017", conclui o INE.

Os indicadores que medem a privação material, ou seja, a incapacidade de as pessoas adquirirem uma série de bens e darem resposta a várias necessidades económicas (por exemplo, ter aquecimento em casa ou conseguir incluir peixe e carne nas suas refeições), também diminuíram no ano passado.

A nível europeu, é usada a taxa de pobreza e exclusão social que inclui o número de pessoas em situação de pobreza, em privação material e com uma baixa intensidade laboral. Em 2017, havia 21,6% de portugueses nesta situação, abaixo dos 23,3% do ano anterior. Mesmo assim, isso significa que um em cada cinco portugueses vive nessa situação.

Desigualdades fortes, mas mais reduzidas

Um dos indicadores que medem as desigualdades económicas, o coeficiente de Gini, diminuiu pelo quarto ano consecutivo (para 32,6%), atingindo o valor mais baixo desde que há registo do INE (2003). Ainda assim, e apesar de uma melhoria de todos os restantes indicadores de desigualdade, os rendimentos monetários em Portugal continuam a "pautar-se por uma distribuição fortemente assimétrica", como refere o INE.

Pela primeira vez, o INE divulga estimativas regionais sobre a pobreza. "Os residentes da Área Metropolitana de Lisboa foram os menos afetados pelo risco de pobreza em 2017 (12,3%), tendo em conta a linha de pobreza nacional. Esta proporção registou os valores mais elevados nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, respetivamente 31,5% e 27,4%", conclui.

"No entanto, tendo em conta que há diferenças socioeconómicas significativas entre as regiões, foram complementarmente estimadas linhas de pobreza regionais que mostraram diferenças de proporções menos acentuadas entre as regiões."

[texto atualizado às 12h03]