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Há racismo “generalizado” na Europa: Portugal e Finlândia lideram em polos opostos

NurPhoto/ Getty Images

São escassas as vezes em que os casos de racismo são denunciados às autoridades, refere a Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia

Portugal está entre os países onde as pessoas com descendência africana se sentem menos discriminadas. Aliás, é o local da União Europeia (entre os 12 países analisados) com menor taxa de violência e vitimização motivadas pelo racismo. No polo oposto estão a Finlândia e a Áustria. A conclusão é do relatório “Being Black in the EU), publicado anualmente pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia e que foi divulgado esta quarta-feira.

Quase 20 anos após a adoção de leis que proíbem a discriminação, as pessoas com origens africanas enfrentam exclusão e preconceito generalizado na União Europeia”, pode ler-se no relatório que resulta da realização de entrevistas a 5.803 imigrantes e descendentes de imigrantes de descendência africana.

São sobretudo insinuações não verbais, comentários ofensivos ou ameaçadores e ameaças de violência as agressões mais comuns. Nos cinco anos anteriores à realização do relatório, cerca de 30% dos inquiridos garantiram terem passado por intimidações de teor racista e cerca de 21% teve esta experiência pelo menos nos 12 meses seguintes. No entanto, menos de um terço das pessoas denunciou as situações à autoridades.

Relativamente à violência racista, 5% dos inquiridos já foi vítima nos cinco anos anteriores e 3% nos meses seguintes à realização da análise – incluindo agressões físicas por parte de agentes da polícia. A maioria não apresenta queixa, seja porque sente que isso não fará diferença (34%) ou porque não confiam nas autoridades (28%).

Entre outras, as questões analisadas incluem abordagens policiais, discriminação e consciência de direitos, educação e emprego, bem como habitação e inclusão social.