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Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres lembrado em Portugal e no mundo

Uma marcha simultânea em várias cidades portuguesas, ações de sensibilização da GNR, uma carta aberta da Polícia de Segurança Pública — que pode ler aqui —, a risca laranja na face do Presidente do Parlamento Europeu, uma caminhada contra a violência em Caracas (organizada por uma Portuguesa) e um compromisso da ONU. O Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres está a ser comemorado de várias formas

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Carrasco Ragel

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YVES HERMAN

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HANNAH MCKAY

O objetivo é exigir o fim da violência contra as mulheres e não haverá data mais simbólica para fazê-lo. Neste domingo celebra-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres e foram várias as iniciativas criadas para recordar a data.

Entre elas está uma marcha em várias cidades do país — que tem como pano de fundo receios de retrocessos nos direitos das mulheres com a ascensão da extrema-direita no mundo —, entre as quais se destacam Lisboa, Porto e Viseu. As três capitais de distrito acolheram este domingo uma marcha pela eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres e as imagens de Lisboa podem ser vistas acima

"Hoje estamos mais uma vez na rua para denunciar e lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Violência, esta, que é sistémica, que tem por base uma cultura misógina, que está à espreita na rua, está confortável em casa e no trabalho, tem muitas caras, tantas, que às vezes nem as reconhecemos de tão naturalizadas que estão na nossa sociedade. [...] Por todo o mundo lutamos nas ruas e de novo neste 25 de novembro, mas sem que isso signifique um ritual repetitivo ou uma conformação face ao que parece inalterável. Basta de violência!", lê-se no manifesto conjunto das marchas de Lisboa e Porto.

Lembrando as 24 mulheres que em Portugal já morreram este ano vítimas de violência de género, o manifesto não deixa de globalizar as preocupações e reivindicações, alertando para as alterações políticas, pouco favoráveis aos direitos das mulheres. "Neste 25 de Novembro, não esquecemos as diferentes formas de violência que atingem as mulheres em todo o mundo. Vemos com apreensão os retrocessos nos direitos alcançados pela luta abnegada de milhares de mulheres em países onde governos de extrema-direita e ultraconservadores estão a ganhar cada vez mais terreno. Denunciamos em Portugal uma tendência preocupante para decisões judiciais retrógradas, moralistas e inadmissíveis, que violam os direitos mais básicos e a Constituição da República Portuguesa", afirma-se no manifesto.

No documento acrescenta-se ainda que "as associações e todas as cidadãs e cidadãos que marcham pela eliminação da violência contra as mulheres reafirmam a sua intenção de se mobilizar contra este preocupante ascenso do conservadorismo e do ataque aos direitos das mulheres".

O projeto 2:59 do Expresso — que na última semana ganhou a categoria de “Melhor trabalho de serviço público” na primeira edição dos prémios de Media Digital do Sapo — também já explorou os dados relacionados com a violência contra as mulheres. Neste episódio do programa de jornalismo de dados, não se esquece que a percentagem de mulheres que experienciam violência física ou sexual em Portugal e não o contam a ninguém é superior à média da União Europeia. É apenas um dos pontos alarmantes abordados aqui.

As forças de segurança também estão a aproveitar a data para apostar na sensibilização da população e são várias as formas encontrada para o fazer. Este domingo, a Guarda Nacional Republicana (GNR) vai realizar “ações de sensibilização em todo o território nacional sobre a violência contra as mulheres, que visam alertar a sociedade para os vários casos de violência, nomeadamente casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos”.

Numa publicação na rede social Facebook, a GNR recordou ainda que “o preocupante fenómeno da violência contra as mulheres abrange vítimas de todas as idades e estratos sociais” e que “combater a violência contra as mulheres é um dever de todos!”.

Uma abordagem diferente teve a Polícia de Segurança Pública, que apostou na escrita de uma carta aberta, publicada também na sua página oficial no Facebook. “Sabemos que segues esta página e queremos que vejas isto. Sabemos quem és e o que estás a passar. Acredita que sim. Queremos ajudar e trabalhamos em conjunto com outros parceiros para te manter segura. Estamos sempre contigo, 24/7. Existimos para isso”, lê-se na primeira parte da publicação, à qual se segue um parágrafo centrado no enquadramento familiar.

“A tua família e amigos dizem-te que corres perigo e tens de mudar essa situação. Não é só a violência física, mas a psicológica também. Agressões, ofensas, persguição não podem fazer parte da vida de uma mulher. Ouves “não volta a acontecer”, “eu vou mudar”, “desculpa” ou “a culpa é tua”, mas NÃO É! Não estás sozinha. Liga-nos ou vai à Esquadra mais próxima. Estamos Aqui.”, lê-se na carta aberta.

Orange the World

No plano internacional, há a destacar a forma como o Presidente do Parlamento Europeu decidiu assinalar a data. No dia em que começa a campanha mundial que apela ao fim da Violência Contra mulheres e jovens, Antonio Tajani pintou um risco laranja numa alusão à campanha "Orange the World". O gesto simbólico foi registado pelas câmaras numa conferência de imprensa este domingo em Bruxelas. Antonio Tajani disse que não é normal que a violência seja normal.

Instagram

Também os jogos de futebol da série A italiana marcaram a data, ao aderirem à campanha "Orange the World" este sábado. Os futebolistas, entre os quais se contou o internacional português Cristiano Ronaldo, fizeram uma marca laranja no rosto para lembrar a data.

Embaixadora da UE na Venezuela é portuguesa e organizou marcha em Caracas

Em Caracas foram mais de duas mil as pessoas que participaram este domingo numa corrida e caminhada, para condenar a violência contra as mulheres. A ideia foi da embaixadora da União Europeia na Venezuela, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa.

"Portuguesa, sim, mas agora com um chapéu de embaixadora da União Europeia na Venezuela. Esta corrida nasceu da ideia de sensibilizar os caraquenhos para uma das mais graves violações dos Direitos Humanos que é a violência contra as mulheres", disse. Isabel Brilhante Pedrosa falava à agência Lusa, à margem da II Carreia da União Europeia que teve em Las Mercedes, Caracas, na qual participaram vários portugueses.

"Estamos muito satisfeitos com a resposta. Tivemos mais de 2.000 corredores esta manhã, aqui um dia absolutamente fantástico, para sensibilizar e denunciar um tratamento que é absolutamente inaceitável. (...) Creio que todos estamos unidos neste compromisso coletivo e individual de dizer não à violência de género", frisou. Segundo Isabel Brilhante Pedrosa, a violência contra as mulheres "é um comportamento não aceitável e que deve ter tolerância zero". "Todos temos que assumir este compromisso de dizer já 'basta de violência contra as mulheres'", sublinhou.

"Isto é uma prioridade de todos os Estados-membros da União Europeia, mas também do cidadão anónimo, dos europeus que vivem em Caracas, incluindo muitos portugueses. Estamos todos unidos nesta campanha de sensibilização contra a violência de género", concluiu. Vários portugueses disseram à agência Lusa que participaram na corrida por tratar-se de um tema sobre o qual há muito que fazer para sensibilizar e por ser organizado por uma portuguesa.

ONU vai intensificar esforços para pôr fim à violência

Já a ONU comprometeu-se no sábado a intensificar os esforços para encontrar medidas que detenham a violência contra as mulheres e as raparigas, solidarizando-se com as sobreviventes da violência e os defensores dos direitos humanos das mulheres. "O nosso dever não é apenas solidarizarmo-nos com eles mas também intensificar os nossos esforços para encontrar soluções e medidas para deter este flagelo mundial evitável, que tem um impacto prejudicial na vida e na saúde das mulheres e raparigas", assinala um comunicado conjunto dos diretores de organismos da Organização das Nações Unidas.

No documento, recordam que mais de um terço das mulheres em todo o mundo sofreu violência física ou sexual em algum momento da sua vida. O custo da violência contra as mulheres pode ascender anualmente a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, o equivalente a 1.500 milhões de dólares, aponta igualmente o comunicado.

"O último ano tem sido extraordinário quanto à consciência que se gerou sobre o alcance e a magnitude das diferentes formas de violência infligidas sobre as mulheres e as raparigas. A campanha #metoo, um dos movimentos sociais mais virais e poderosos dos últimos tempos, colocou este tema no foco de atenção", sustenta-se no comunicado. Esta consciência, sublinham, reforçou-se com a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2018 a dois ativistas como a iraquiana yazidi Nadia Murad e o médico congolês Denis Mukwege.