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Portugal. Este ano 24 mulheres vítimas de violência doméstica foram mortas

A maioria das mulheres foi morta na própria casa e com arma branca. Deixam 29 filhos órfãos. São mais seis mortes do que no ano passado e regista-se um decréscimo de 23 tentativas para 16. A maioria das vítimas tem ou tinha tido uma relação de intimidade com o agressor

Depois de quatro anos a descer, o número de mulheres mortas vítimas de violência doméstica aumentou em 2018. Segundo o Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), desde o início do ano até dia 20 de novembro, vinte e quatro mulheres foram assassinadas em Portugal, "em contextos de intimidade ou relações familiares próximas". E outras dezasseis foram vítimas de tentativas de femicídio.

São mais seis mortes do que no ano passado e regista-se um decréscimo de 23 tentativas para 16. A maioria das vítimas tem ou tinha tido uma relação de intimidade com o agressor (67%). Já a violência intrafamiliar, nomeadamente a praticada contra ascendentes diretas, registou 33% do total dos crimes.

"Verificamos que o assassinato das mulheres ocorre em todo o seu ciclo de vida, com particular incidência, e nos últimos anos, em mulheres mais velhas, e que, o femicídio se relaciona com as questões de género e a violência, que nas sociedades patriarcais é contra elas exercida, sendo o femicídio a expressão última dessa violência", lê-se no relatório da OMA, uma responsabilidade da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O início deste ano foi particularmente difícil, já que janeiro foi o mês em que mais mulheres foram mortas: cinco. Leiria surge pela primeira vez, como o distrito onde ocorreu a maioria dos femicídios, um total de seis.

A maior parte destas mulheres foi morta na sua própria casa (92%) e com arma branca (42%). "Em 14 dos 24 femicídios consumados, a medida de coação aplicada foi a de prisão preventiva, correspondendo a uma percentagem de 58%", diz o documento da OMA.

Estas mulheres deixam 29 filhos órfãos. "Pudemos ainda verificar que nove eram filhos das vítimas (oito de femicídio consumado e um femicídio tentado), 18 eram filhos comuns (da vítima e do agressor) e dois eram somente do agressor", diz o documento.