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Todo o terreno e mais algum

Passaram 20 anos desde o lançamento da terceira geração do pequeno todo-o-terreno da Suzuki. Um raro exemplo de longevidade que agora conhece um sucessor. O jornalista Rui Pedro Reis esteve em Madrid a conhecer os atributos que fazem do Jimny um raro exemplo de um verdadeiro todo o terreno.

Rui Pedro Reis/SIC em Madrid

O mercado está inundado de propostas SUV, automóveis com uma imagem a remeter para uma utilização fora de estrada mas que, na maior parte dos casos, não passa de mera cosmética. O Suzuki Jimny é de outro tempo. Quando foi criado em 1970, mostrou como um pequenos carro pode ser uma referência em terrenos pouco convidativos. Essa primeira geração durou 11 anos e depois dela vieram mais duas. Sempre discreto, como uma imagem que resiste a modas e tendências. O Jimny regressa mais uma vez como lobo em pele de cordeiro. Claro que 20 anos na indústria automóvel significam que o novo modelo é um enorme salto em frente face ao antecessor. E, no entanto, consegue manter a imagem de puro e duro que lhe deu fama.

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Feito para desafios

Chega a parecer um Mercedes Classe G encolhido, este Jimny que continua a assumir linhas direitas. Escondidos estão os ingredientes que o tornam num companheiro de aventuras. Elementos como o chassis em escada, a suspensão rígida de três pontos com mola helicoidal e tração às quatro rodas com redutoras. Por baixo do capô está um novo motor 1.5 com 102 cv que substitui anterior 1.3. O resultado é um binário maior em especial em baixas rotações. A caixa manual de cinco velocidades foi revista, com o objetivo de reduzir os consumos. Em alternativa há uma caixa automática de quatro velocidades que acaba por retirar alguma pureza ao conceito deste carro.

GOSTA DE ESTRADA MAS ADORA SAIR

Os primeiros quilómetros ao volante do novo Jimny foram feitos em as-falto. A viagem tem conforto q.b. e nota-se o potencial do motor 1.5 que até parece um bloco mais potente. Mas, como se percebe, é fora de estrada que o Jimny mais brilha. O percurso todo-o-terreno nos arredores de Madrid era daqueles complicados, que obrigam a alguma atenção e onde muito poucos automóveis atuais conseguiriam passar. Coisa pouca para o Jimny, que se desenvencilha dos obstáculos com facilidade e mui-tos deles sem ser preciso recorrer às redutoras. Passaram 20 anos e o Jimny tem hoje a ajuda da eletrónica que o torna ainda mais eficaz, como o controlo de descida, em que o condutor é pouco mais que um espectador. Entra com distinção para a lista dos automóveis que mais me impressionaram este ano.

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NÃO ESTICA

O Jimny é como a sardinha. Quer-se pequeno. Mas isso tem um custo, em especial na habitabilidade. É que com os quatro bancos a bagageira fica reduzida a quase nada. É preciso abdicar dos dois lugares traseiros para ter uma bagageira que mesmo assim não passa os 377 litros (mais 53 litros que na geração anterior). As dimensões exteriores mudam ligeira-mente: está 30mm mais curto, 43mm mais largo e 20mm mais alto. Por ser pouco aerodinâmico, é de esperar mais ruído em auto-estradas e, por isso, um menor conforto acústico. A Suzuki fala de um veículo funcional e é isso que ele é, com elementos de conforto obrigatórios nos dias de hoje como o ecrã touchscreen 7.0”, que inclui ligação Apple CarPlay e Android Auto.

Motor
1462 cc
102 cv
130 nm às 4 000 r.p.m.

Transmissão
Integral
Manual 5 velocidades (DSG 7v opcional)

Prestações
145 km/h Vel. Máxima
Aceleração n/d

Consumos
6,8l/100km
145g/CO2/km

Preço €21.500