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Cabrita garante que ataques a máquinas ATM desceram 90%

TIAGO PETINGA/Lusa

Ministro da Administração Interna destaca a descida da criminalidade e lembra que Portugal é o quarto país mais seguro do mundo. Sobre os fogos, lembra que 2018 teve quase metade das ocorrências do que a média dos últimos dez anos

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Na comissão de orçamento realizada esta quinta-feira na Assembleia da República, Eduardo Cabrita destacou a descida acentuada na criminalidade violenta e também dos fogos florestais em 2018.

Um dos números que enfatizou foi o dos assaltos às caixas ATM. De acordo com o ministro da Administração Interna, houve uma descida de 90% dos casos este ano. E também a criminalidade violenta e grave sofreu uma quebra de 9%.

Lembrou também que Portugal é o quarto país mais seguro do mundo.

Sobre o dossier dos incêndios, o ministro referiu que houve uma descida de 42% das ocorrências em relação à média dos últimos dez anos. "É o segundo ano com menos ocorrências da última década", afirmou.

Os dados até ao início desta semana, revelam que os incêndios destruíram 43 mil hectares de floresta, "69% abaixo da média dos últimos dez anos". E recordou que no ano passado, arderam mais de 500 mil hectares de mato.

De acordo com Cabrita, 97% das ocorrências deste ano foram resolvidas no ataque inicial.

Estes números mais baixos do que nos últimos anos "não se devem apenas ao São Pedro", ironizou o ministro, que lembrou os meses quentes de 2018, nomeadamente agosto e setembro, uns dos "piores de sempre".

A GNR triplicou o número de contra-ordenações por violação sobre as regras de limpeza florestal: de 3 mil para 9 mil em 2018. E deteve 102 incendiários em flagrante delito.

Cabrita lembrou o investimento de 450 milhões de euros para as forças e serviços de segurança nos próximos anos. "Houve um abandono do anterior Governo às forças de segurança", criticou.

Nesta área, destacou sobretudo o descongelamento das carreiras na PSP e no SEF. Quanto à GNR, o MAI "está a trabalhar" com com o Ministério das Finanças sobre este dossier.

Já o SEF vai ter, "pela primeira vez desde 2005", um recrutamento externo que servirá para "reforçar os meios humanos", numa altura que é notória a falta de inspetores nesta polícia.

"No SEF estamos a fazer várias coisas ao mesmo tempo", reforçou.

A Proteção Civil vai receber 600 precários que vão a partir de agora ter as carreiras regularizadas.

Mais números? 731 veículos, 2300 armas e 10.700 equipamentos de proteção individual para as polícias já para este ano.

"Cabrita, o que é isto?"

Telmo Correia, do CDS, considerou "inaceitável" que o Governo continue a dizer, ao fim de três anos e quase no final da legislatura, que os problemas vêm do executivo anterior. "Acharia aceitável que usasse o argumento ao fim de seis meses. Assim não."

Lembrou a recente manifestação das polícias, onde as forças de segurança demonstraram o seu desagrado com as políticas do MAI. "Ou eles estão a viver noutro mundo ou então este esforço não está a ser bem compreendido."

E citou mesmo alguns slogans usados pelos polícias nessa manifestação: "Cabrita, o que é isto? O país seguro e os polícias nisto."

O deputado do CDS disse querer perceber qual o saldo real de entrada e de saídas nas polícias, nomeadamente na PSP e na GNR.

Telmo Correia concordou que a notícia do aumento do parque automóvel das polícias é positiva, mas lembrou que há mil carros parados por falta de reparação e zonas como Sintra onde há dois carros para patrulha.

Já Jorge Machado, deputado do PCP, recorda a existência de "problemas gritantes" de falta de pessoal nas forças de segurança. E que a idade média de 45 anos na PSP é "muito alta". Já o problema de viaturas vem de anteriores governos, na ótica do PCP.