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Chuva e vento vão manter-se pelo menos até domingo. Mais de 250 ocorrências registadas em todo o país

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A Autoridade Nacional de Proteção Civil registou 255 ocorrências relacionadas com o mau tempo até às 7h30 desta quarta-feira, sendo Braga, Viana do Castelo e Porto os distritos mais afetados

A chuva e o vento forte vão manter-se no continente pelo menos até domingo devido aos efeitos colaterais da passagem da depressão Beatriz e de um sistema frontal frio, segundo a meteorologista Maria João Frada.

Em declarações à agência Lusa, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) adiantou que os efeitos da superfície frontal fria fizeram-se sentir entre o final da noite de terça-feira e a madrugada de hoje nas regiões Norte e Centro, encontrando-se já na região Sul mas com menos intensidade.

“O mau tempo esteve associado à superfície frontal que afetou particularmente o Minho e Douro Litoral. No que toca à intensidade da precipitação durante a noite, tivemos 10 a 15 milímetros numa hora e valores acumulados em seis horas da ordem de 30 a 45 milímetros naquelas regiões”, disse.

Maria João Frada adiantou também que foram registadas durante a noite rajadas fortes de vento nas regiões de Bragança, Vila Real, Guarda e Castelo Branco. “Em Mogadouro por exemplo a rajada máxima atingiu os 102 quilómetros por hora, em S. Pedro do Sul 102 a 105 e em Pampilhosa da Serra 90 quilómetros por hora. Depois acalmou o vento e também a chuva. Estes episódios podem ter dado origem a algumas ocorrências e alguns estragos, mas já passou”, indicou.

De acordo com Maria João Frada, esta superfície frontal está associada à depressão Beatriz que esta localizada muito longe do continente, a noroeste das Ilhas Britânicas. “Não vai ter impacto direto no estado do tempo no território do continente, serão apenas efeitos colaterais associados à passagem de superfícies sucessivas de ondulações frontais que estão associadas à Beatriz, mas ela está de facto muito longe. Todo o vento que se possa vir a fazer sentir no continente é devido à Beatriz e por causa de um anticiclone que está a oeste dos Açores”, disse.

Maria João Frada adiantou que os efeitos da depressão, que vão prolongar-se pelo menos até domingo, determinam uma corrente de oeste que vai trazer ondulações frontais sucessivas. “Amanhã [quinta-feira] temos novamente um dia marcado pela passagem de um novo sistema frontal frio com alguma atividade, por isso, estão previstos períodos de chuva ou aguaceiros, que serão localmente intensos e sob a forma de granizo, trovoadas e rajadas fortes de vento até ao final da tarde”, disse.

Está também previsto na quinta-feira, segundo Maria João Frada, um aumento da intensidade do vento com rajadas da ordem dos 75 quilómetros por hora a norte de Setúbal e nas terras altas e depois haverá uma acalmia.

“Os dias 9, 10 e 11 serão dias com muita precipitação e persistência da precipitação, em especial nas regiões do Norte e Centro, mas vai chegar a todo o país. Isto deve-se a uma corrente de oeste com uma massa de ar tropical com elevado conteúdo em vapor de água, que vai dar muita precipitação”, indicou.

De acordo com as previsões do IPMA, os efeitos da Beatriz vão também fazer-se sentir no estado do mar, prevendo-se ondas com 4 a 5 metros, sendo de 5 a 6 metros na costa ocidental até sábado pelo menos, o que já levou à emissão de aviso amarelo.

No que diz respeito à neve, Maria João Frada adiantou que não está prevista queda devido à subida das temperaturas

“Até dia 9 não haverá alterações significativas, mas há uma tendência para uma subida das máximas de 2/3 graus. Até lá estamos com máximas da ordem dos 15/17 graus, sendo superiores na costa sul. No interior norte e centro não vão ultrapassar os 12 graus. As mínimas vão estar entre os 8 e os 10 graus, mas vão sofrer uma descida brutal a partir de sábado da ordem dos 05/08 graus”, disse.

Está também prevista a formação de gelo e geada nos distritos de Bragança e da Guarda.

Mais de 200 ocorrências registadas em todo o país até às 7h30

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou 255 ocorrências relacionadas com o mau tempo até às 7h30 desta quarta-feira, sendo Braga, Viana do Castelo e Porto os distritos mais afetados.

Em declarações à agência Lusa cerca das 8h, o comandante Miguel Oliveira, da ANPC, adiantou que entre as 14h de terça-feira e as 7h30 de hoje foram registadas em todo o país 255 ocorrências.

“Estamos a falar sobretudo de quedas de árvores e pequenas inundações. Os distritos mais afetados pelo mau tempo foram Viana do Castelo, Braga e Porto, não havendo contudo vítimas a registar”, disse.

Uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto tinha indicado à Lusa, cerca das 4h desta madrugada, que até às 23h de terça-feira tinham sido registadas mais de 30 ocorrências relacionadas com o mau tempo.

“Choveu com bastante intensidade e estava vento forte. As vias públicas têm muita água e recebemos alertas de várias ocorrências relacionadas com inundações ou queda de árvores”, disse a fonte do CDOS, assinalando que não existem feridos ou danos avultados a registar.

A mesma fonte acrescentou, pouco depois das 23h, que os meios continuavam na rua a responder a alertas em diversos locais do distrito do Porto.

Também em Viana do Castelo o mau tempo causou inundações e queda de árvores, com as organizações de socorro a responderem a dezenas de alertas.

O mau tempo que se fez sentir durante a noite em especial nas regiões do Norte e Centro, foi provocado por uma superfície frontal fria de atividade moderada a forte associada à passagem da depressão Beatriz.