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STARLab. Portugal e a China investem €50 milhões para fabricar pequenos satélites em Matosinhos e Peniche

ESA

Nos últimos 15 anos o Instituto de Microssatélites da Academia de Ciências Chinesa foi responsável pelo lançamento de perto de 40 satélites no âmbito de missões científicas

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Chama-se STARLab e é um laboratório conjunto de investigação e desenvolvimento tecnológico para o Espaço e para os oceanos que vai ser criado por Portugal e a China. O projeto é revelado ao fim da manhã desta terça-feira pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, à margem da Web Summit, que decorre no Parque das Nações, em Lisboa. E envolve um investimento de 50 milhões de euros nos próximos cinco anos para fabricar pequenos satélites em Matosinhos e Peniche.

O laboratório será financiado em partes iguais pelos dois países, sendo a componente portuguesa distribuída por igual entre o sectores público e privado. A Academia de Ciências Chinesa, por sua vez, será a responsável direta pelo investimento da China. O objetivo global é desenvolver tecnologias e sistemas de engenharia para melhorar o conhecimento, a gestão e a exploração sustentável dos oceanos e do Espaço. E prevê-se a abertura de centros de investigação em Portugal Continental e em Xangai, na China.

"A Academia de Ciências Chinesa é a instituição que a nível mundial está a investir mais na tecnologia dos pequenos satélites, um sector emergente", explica Manuel Heitor ao Expresso. O ministro acrescenta que na Europa "a China está a desenvolver um projeto do mesmo género no Luxemburgo".

O STARLab envolve também a empresa espacial portuguesa Tekever e o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto. O ministro revela que os pequenos satélites serão fabricados em Peniche, num novo Laboratório Colaborativo liderado pela Tekever, e no CEiiA em Matosinhos. Os laboratórios colaborativos juntam empresas, centros de investigação, instituições do ensino superior, autarquias, centros tecnológicos e associações. Já existem 20 em todo o país.

Tiago Rebelo, diretor para o Espaço e Engenharia Oceânica do CEiiA, afirma ao Expresso que o envolvimento deste centro no STARLab "vai catapultar-nos para um enorme mercado que é a China, país que tem um a grande experiência nesta área, com dezenas de microssatélites no Espaço e robôs de recolha de dados nos oceanos". Por outro lado, o novo projeto "irá reforçar toda atividade que o CEiiA já tem neste setor, em particular no contexto do futuro AIR Center e na observação dos oceanos, bem como trazer novas oportunidades de desenvolvimento tecnológico".

Acelerar o conhecimento sobre os oceanos e o Espaço

“Estamos perante uma excelente oportunidade de acelerar o conhecimento sobre os oceanos e o Espaço e cumprir o nosso desígnio de estudo aprofundado do Atlântico", afirma Manuel Heitor. "O STARLab possui metas a nível científico que passam pelo estudo de fenómenos naturais e os seus potenciais impactos sistémicos e ambientais". Para tal "prevê o desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas, nomeadamente, em microssatélites e na sua integração com plataformas de exploração do mar profundo”.

Ao mesmo tempo, "o STARLab irá fortalecer uma parceria de longo prazo entre a China e Portugal nas áreas da ciência e tecnologia, passando a ser uma entidade de referência na Europa de colaboração com a Academia de Ciências Chinesa”.

A assinatura oficial entre os dois países que dará origem ao STARLab vai acontecer na visita oficial do Presidente da China a Portugal, prevista para o final do ano. Os objetivos do STARLab estão alinhados com o projeto do AIR Centre, o grande centro internacional de investigação a criar nos Açores que vai fazer abordagem integrada pioneira ao Espaço, atmosfera, oceanos, clima, energia e ciência de dados.

O novo Laboratório Colaborativo irá contar com a participação do Instituto de Microssatélites da Academia de Ciências Chinesa, que nos últimos quinze anos foi responsável pelo lançamento de perto de 40 satélites no âmbito de missões científicas, assim como do Instituto de Oceanografia da mesma Academia, especializado na avaliação de recursos, alterações climáticas e biodiversidade. Outros organismos na órbita da Academia de Ciências Chinesa podem também vir a trabalhar com o laboratório.

Do lado nacional, a iniciativa está a ser promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A Tekever vai focar-se na área de Espaço e o CEiiA nos Oceanos. A atividade do STARLab irá envolver centros de investigação e universidades nacionais durante a fase de desenvolvimento.