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Há 14 concorrentes à construção de uma base espacial nos Açores

A liderança dos consórcios que se apresentaram é de 11 empresas da UE, duas dos EUA e uma da Rússia. E estão interessadas em atuar em toda a cadeia de valor associada ao desenvolvimento e operação de uma nova geração de serviços de lançamento de pequenos satélites para o Espaço na ilha de Santa Maria

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

São 14 os consórcios internacionais que submeteram propostas de interesse em colaborar com empresas e centros de investigação portugueses para conceber, instalar e operar um porto espacial na ilha de Santa Maria (Açores), revela um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

O concurso, que encerrou a 31 de outubro, é a primeira fase do Programa Internacional do Atlântico para o Lançamento de Satélites (ATLANTIC ISLP). Os 14 consórcios internacionais incluem 11 empresas da União Europeia, duas dos EUA e uma da Rússia, que declararam estar interessadas em atuar em toda a cadeia de valor associada ao desenvolvimento e operação de uma nova geração de serviços de lançamento de pequenos satélites para o espaço.

"Foi um sucesso, não estávamos à espera de 14 manifestações de interesse mas apenas de quatro", conta Manuel Heitor ao Expresso. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior acrescenta que a grande afluência verificada "significa que este programa é muito atrativo" para o mercado. "E com tantos concorrentes ganhámos capacidade negocial para a próxima fase do processo".

Com efeito, vai ser aberto um processo negocial com todos os consórcios no âmbito do Código de Contratação Pública, "e é natural que algumas das propostas sejam fundidas, de modo a criar um grande consórcio que torne o projeto do porto espacial em Santa Maria bem-sucedido".

O comunicado do MCTES salienta que "as propostas compreendem soluções inovadoras de acesso ao espaço com microlançadores (sete das 14 propostas), produtos e serviços de engenharia de sistemas e software, e inovações nas infraestruturas terrestres". Esta iniciativa tem três fases "e visa estimular a criação de emprego qualificado e a alavancagem de novos projetos de índole espacial de grande valor acrescentado, que podem garantir o incremento e um novo impulso para os projetos já existentes na ilha de Santa Maria".

A nova geração dos pequenos satélites

Haverá também um impacto favorável para as empresas e centros de investigação e de desenvolvimento tecnológico portugueses do setor espacial, "posicionando o país e a região no desenvolvimento de uma nova geração de atividades espaciais com base em pequenos satélites", justifica o MCTES.

O Ministério prevê que os primeiros lançamentos na base espacial de Santa Maria ocorram na primavera/verão de 2021, "decorridas todas as fases de avaliação e análise das condições de exequibilidade e dos processos contratuais". Agora as 14 manifestações de interesse vão ser analisadas pela Comissão Internacional de Alto Nível, composta por nove conhecidos especialistas nacionais e estrangeiros e coordenada por Jean Jacques Dordain, antigo diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA). Fazem ainda parte da Comissão Gaele Winters, ex-diretor de Lançadores da ESA; Dava Newman, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e antiga astronauta; Byron Tapley, professor emérito na Universidade do Texas em Austin; Vitor Fraga, presidente da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA); Luís Castro Henriques, presidente do AICEP; José Toscano, diretor de Relações Internacionais da IntelSAT; António Cunha, professor da Universidade do Minho; e um representante da ESA a designar.

A primeira reunião desta comissão realiza-se no início de novembro e terá como objetivo recomendar uma lista de candidatos a convidar para a segunda do fase do ATLANTIC ISLP, em janeiro/fevereiro de 2019. Nos três meses seguintes irá decorrer o processo de avaliação, incluindo uma apresentação pública das propostas, e a negociação final com as empresas e consórcios. Em junho de 2019 será assinado o contrato para o desenvolvimento e operação do porto espacial e nos dois anos seguintes é a vez da análise e avaliação externa da fase de execução do projeto. Finalmente, na primavera/verão de 2021 vão realizar-se os primeiros lançamentos de foguetões para o Espaço.

Esta iniciativa foi lançada em setembro passado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Estrutura da Missão dos Açores para o Espaço (EMA - Espaço), tendo o apoio técnico da ESA. Há empresas portuguesas em todos os 14 consórcios.

EMPRESAS LÍDERES DOS 14 CONSÓRCIOS CONCORRENTES

1. Ariane Group (França/Holanda)

2. Astos Solutions GmbH (Alemanha)

3. AVIO (Itália)

4. Elecnor DEIMOS Group (Espanha)

5. GMVIS SKYSOFT S.A. (Espanha)

6. GTD (Espanha)

7. Isar Aerospace Technologies GmbH (Alemanha)

8. PLD Space (Espanha)

9. Rocket Factory Augsburg (Alemanha)

10. ROSCOSMOS (Rússia)

11. Sierra Nevada Corporation (EUA)

12. Valispace (Portugal)

13. Virgin Orbit LLC (EUA)

14. Vertiv Integrated Systems GmbH (Alemanha)