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Estatuto do cuidador informal não pode esperar por 2020

Neste debate estiveram presentes, da esquerda para a direita, a jornalista do Expresso, Joana Nunes Mateus; a doente oncológica e protagonista da iniciativa "Tenho Cancro? E depois?" Cristina Nogueira; a presidente da associação Evita, Tamara Milagre; a diretora do serviço de oncologia do São João, Margarida Damasceno; a coordenadora regional da rede de cuidados continuados, Maria José Ferros Hespanha; a presidente do IPO Coimbra, Margarida Ornelas; e a jornalista da SIC Notícias, Sara Pinto

NUNO FOX

Profissionais de saúde pediram mais formação e apoios para quem fica em casa a tratar dos doentes na última conferência dedicada ao tema “Tenho Cancro. E Depois?"

Joana Nunes Mateus

Os profissionais de saúde reunidos esta segunda-feira no IPO Coimbra para a última conferência sobre o tema “Tenho Cancro. E depois?” foram unânimes quanto à necessidade de se avançar o quanto antes com o Estatuto do Cuidador Informal que proteja quem cuida dos seus doentes amigos e familiares.

“O Estatuto do Cuidador Informal deve ser uma prioridade deste Governo nesta legislatura”, disse ao Expresso Margarida Damasceno, diretora do serviço de oncologia do Centro Hospitalar São João e presidente eleita da Sociedade Portuguesa de Oncologia, no final do debate promovido pela SIC Notícias e o Expresso em parceria com a Novartis.

Esta especialista não tem dúvidas que, em termos orçamentais, “é certamente menos caro ficar em casa, com os familiares, do que no hospital. Mas é muito importante que não seja esquecida a questão da formação do cuidador informal dos doentes oncológicos, formação essa que deve ser dada no hospital”.

Maria José Ferros Hespanha, coordenadora regional da rede de cuidados continuados, foi ainda mais taxativa: “É urgente criar o Estatuto do Cuidador Informal. Enquanto isso não acontecer, vamos ter as urgências hospitalares entupidas de pessoas que podiam resolver os seus problemas com os cuidadores informais”.

Também Alexandre Lourenço, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, referiu ao Expresso que “os cuidadores informais são fundamentais na desospitalização e na humanização dos cuidados aos doentes crónicos e dependentes”.

Margarida Ornelas, presidente do IPO Coimbra e anfitriã deste debate, alerta que “a taxa de incidência do cancro a crescer a 3% ao ano no nosso país vai exigir necessidades assistenciais cada vez maiores ao nível dos profissionais e das condições dos serviços. É importante que o Estatuto do Cuidador Informal seja reconhecido à semelhança de outros países. Os cuidadores informais devem ter apoio informacional, apoio emocional e apoio instrumental ao nível da prestação dos cuidados”.

Sendo 5 de novembro o dia do cuidador informal também Marcelo Rebelo de Sousa deixou uma mensagem no site da presidência da república, alertando que “a criação de um Estatuto para o Cuidador Informal é uma causa que é nacional. É uma causa que reúne o apoio de todos os partidos. É uma causa que o Presidente da República sempre defendeu e continuará a defender, até que seja uma realidade”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “os dados estão estudados e publicados: em Portugal a grande maioria dos cuidados prestados a pessoas dependentes, sejam idosos, pessoas com deficiência, demências ou doenças crónicas é prestado por cuidadores informais e não através das redes formais. Não podemos continuar a fingir que não existem milhares de compatriotas que são pais, filhos, netos, sobrinhos, primos, vizinhos, amigos, cuidadores de tantos e tantos outros portugueses. Há milhares de cuidadores informais e cada vez haverá mais. Não podem continuar invisíveis e nessa condição ignorados. Sem vencimentos, sem folgas, sem férias, sem reformas, sem direitos sociais, numa missão também ela sem preço. É urgente conjugar o seu estatuto com o estado social”.

  • Multada por ter cancro

    Cristina Nogueira é advogada e administradora judicial. Por ser doente oncológica e sem direito a baixa médica, arrisca-se a ter de pagar coimas superiores a €100 mil por faltar ao trabalho. São mais de 20 processos de contraordenação num processo com contornos kafkianos