Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Tancos. Ex-diretor e ex-porta voz da PJM vão ser ouvidos no DCIAP

Os paióis nacionais de Tancos foram assaltados na noite de 27 para 28 de junho do ano passado

Nuno Botelho

O coronel Luís Vieira e o major Vasco Brazão foram notificados pelo MP para prestarem declarações acerca da operação de recuperação das armas. Os dois responsáveis têm versões contraditórias sobre o que aconteceu

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

O coronel Luís Vieira (ex-diretor da PJM) e o major Vasco Brazão (ex-porta voz daquela polícia) vão ser ouvidos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). A informação foi confirmada pelo Expresso junto de fontes ligadas ao processo.

Vasco Brazão será interrogado na próxima terça-feira, enquanto Luís Vieira será ouvido no próximo dia 23.

Em causa estão as versões apresentadas pelos dois militares em relação à operação da recuperação do arsenal roubado em Tancos e a reunião que teve lugar no Ministério da Defesa.

A defesa de Vasco Brazão, que está em prisão domiciliária, requereu há uma semana que o major fosse novamente ouvido pelo Ministério Público, de forma a entregar o memorando que assegura ter dado ao então chefe de gabinete de Azeredo Lopes. Esse documento, sem qualquer data ou assinatura, e composto por uma página e meia, explica toda a operação de encobrimento da PJM, deixando explícito, por exemplo, que a chamada anónima a indicar a localização das armas foi encenada pela própria polícia.

Já o coronel Luís Vieira, em prisão preventiva, desmente a existência deste memorando. O Ex-diretor da PJM confirma ter estado, juntamente com Vasco Brazão no Ministério da Defesa, numa reunião com o então chefe de gabinete de Azeredo Lopes mas garante que apenas foi entregue um documento timbrado com o símbolo da PJM, em que não se relatava qualquer encobrimento mas somente a versão oficial que a Judiciária Militar apresentara publicamente na altura: que a descoberta do arsenal se devera a uma chamada anónima para o piquete da PJM, indicando a sua localização num baldio na Chamusca.

Nesse "Relatório de Ocorrências", composto por várias páginas e anexos, relatavam-se as diligências feitas pelos inspetores para localizar o material de guerra que havia sido furtado quatro meses antes nos paióis de Tancos e encaminhá-lo para a base de Santa Margarida. Não se referia em lado nenhum que o telefonema anónimo tinha sido encenado por elementos da própria polícia, numa operação de encobrimento feita à revelia da PJ e do DCIAP.

Uma fonte contactada pelo Expresso assegura que o coronel Luís Vieira só soube dessa operação de encobrimento já no final do ano.

A data da suposta reunião entre os dois militares e o ex-chefe de gabinete do ministro é outro foco de divergência. Na versão do major Vasco Brazão, o encontro ter-se-à realizado algumas semanas após a recuperação do armamento. Já Luís Vieira garante que a reunião teve lugar a 19 de outubro, um dia depois do resgate do material bélico.

Nove arguidos na Operação Húbris

De acordo com o Ministério Público, a PJM e a GNR de Loulé fizeram "um pacto de silêncio" sobre a verdadeira história da recuperação das armas, que não foi conseguida através de uma denúncia anónima, como anunciaram oficialmente na altura, mas através de um acordo ilegal com um dos suspeitos do furto.

A Operação Húbris, desencadeada pelo DCIAP e Polícia Judiciária, tem nove arguidos, entre eles o ex-diretor da PJM, que se encontra em prisão preventiva, e o major Vasco Brazão, em prisão domiciliária. Há ainda mais três elementos daquele órgão de polícia criminal e três militares da GNR de Loulé. Foi também constituído arguido, atualmente em prisão preventiva, o ex-fuzileiro que segundo a PJ é um dos autores do furto e que terá feito o acordo com os militares para a entrega do arsenal em troca da sua imunidade.

A PJ soube do esquema através de uma carta anónima que descreve com minúcia toda a operação montada pela PJM e GNR de Loulé.

[artigo atualizado]