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Portugueses subscrevem carta contra a eleição de Bolsonaro

MAURO PIMENTEL/Getty

Mais de cem portugueses de várias áreas de atividade subscreveram um documento contra a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência do Brasil. Alertam para o que dizem ser os riscos de "retrocessos sociais, ecológicos, políticos e humanos" e anunciam uma manifestação em Lisboa a 21 deste mês

Intitulada "Chega de ódio, pela democracia no Brasil e no mundo", a carta que está a recolher assinaturas entre portugueses foi subscrita por mais de cem personalidades, como o realizador João Mário Grilo, os escritores Alexandra Lucas Coelho e Rui Zink ou o ex-secretário de Estado da Cultura Jorge Barreto Xavier.

No texto faz-se um apelo "a todos os cidadãos preocupados com a situação social e política que se vive no Brasil", afirmando ainda que "é urgente reafirmar a democracia, a liberdade e os direitos humanos". Alerta-se para "o sério risco de retrocessos sociais, ecológicos, políticos e humanos, que estão em jogo nas eleições brasileiras".

A carta afirma que as eleições do dia 28, que vão escolher o novo Presidente do Brasil entre o representante do Partido Social Liberal, Jair Bolsonaro, e o representante do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, não são apenas mais um acto eleitoral. "Assistimos ao sintoma de uma preocupante escalada de forças e movimentos de extrema-direita no mundo, em casos como Itália, Áustria, Hungria, Estados Unidos da América, citando apenas alguns".

"Não podemos aceitar que isto aconteça. Reconhecemos os laços, a memória e a dívida histórica que Portugal tem para com o Brasil. Abraçar esta crise como nossa é parte do processo que Portugal deve fazer, tendo em conta o seu passado colonial e as relações do presente", referem os subscritores do texto. Recordam ainda que "só nos últimos dez dias, houve relatos de 50 incidentes violentos".

Para concluir, o texto sublinha a solidez das instituições nacionais: "Em Portugal temos ainda memória da ditadura e não abdicamos das conquistas de liberdades e democracia pós 25 de Abril, apesar de também por cá a violência aleatória se fazer sentir. Reafirmamos os direitos ameaçados, solidários com o perigo iminente que o Brasil atravessa."

Uma manifestação é anunciada ainda no documento para o dia 21, no Largo Camões, em Lisboa, a partir das 15H.