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Sociedade

Lucília Gago afirma que combate à corrupção será uma das prioridades da Procuradoria

Joana Marques Vidal e Lucília Gago

Tiago Miranda

No discurso de tomada de posse, Lucília Gago elogiou a qualidade do trabalho do DCIAP e a importância da articulação do Ministério Público com os órgãos de polícia criminal. E deixou uma palavra à sua antecessora, Joana Marques Vidal

Lucília Gago tomou posse como nova Procuradora Geral da República (PGR) esta sexta feira, assumindo que uma das “grandes prioridades” do seu mandato será o combate à criminalidade económico financeira. “Com particular enfoque na corrupção, que se tornou um dos maiores flagelos susceptíveis de abalar os alicerces do Estado”, afirmou, no seu discurso durante a tomada de posse que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa.

Elogiando os níveis de “exigência e qualidade do trabalho desenvolvido pelo DCIAP”, dando como exemplo a Operação Marquês, a procuradora reiterou a confiança no diretor do departamento, Amadeu Guerra. E garantiu ainda que o Ministério Público vai “acompanhar zelosamente a tramitação” do processo na fase de instrução, dirigida por um juiz.

A nova PGR salienta também a “posição de relevo” da Polícia Judiciária, pelo “seu papel no combate à criminalidade complexa e altamente organizada”, reforçando a importância de “continuação de uma cooperação leal em todos os domínios”. A articulação do Ministério Público com os órgãos de polícia criminal é vista por Lucília Gago como “intrinsecamente ligada” a um desempenho de excelência na atividade investigatória.

Ao longo do seu discurso, Lucília Gago falou na necessidade de dotação de “imprescindíveis meios humanos e técnicos”. Até porque é desse reforço que depende a própria celeridade processual, “condição de uma justiça pronta e eficaz”, disse.

A promoção dos direitos e a proteção das crianças e dos jovens e a atenção ao “fenómeno alarmante da violência doméstica” foram alguns dos pontos mencionados como relevantes na atividade do Ministério Público.

Lucília Gago elogiou ainda a sua antecessora, Joana Marques Vidal, “pela forma como exerceu o seu mandato e, designadamente, pelos visíveis avanços alcançados no âmbito da perseguição criminal, em especial no domínio económico-financeiro”.

“O perfil do procurador geral da República suscita na sociedade uma enorme expectativa que, não raras vezes, o encara como único responsável pelos sucessos e insucessos do Ministério Público e mesmo da própria Justiça”, afirmou a recém empossada procuradora geral, defendendo que o mérito do PGR “não lhe deve ser exclusivamente imputado”, mas antes “a todos os órgãos e agentes do Ministério Público”.

Lucília Gago diz saber que a partir de agora passará a ser “objecto de permanente escrutínio político”, exigindo, porém, que "não se formulem juízos ancorados em preconcebidas teorias da conspiração originadas em notícias falsas”.