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Alterações climáticas aumentam os riscos para a saúde

Getty

Mais incêndios, condições mais favoráveis para a proliferação de mosquitos portadores de vírus graves e maior quantidade de zonas com águas contaminadas. O aquecimento global e o aumento dos fenómenos climáticos não ameaça só o planeta. Trará mais doença, dizem os especialistas

A Organização Mundial de Saúde já tinha alertado: as alterações climáticas vão causar mais 250 mil mortos todos os anos entre 2030 e 2050, em todo o mundo. Um novo relatório das Nações Unidas, elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla original), vem agora insistir na necessidade de os governos tomarem medidas “depressa, de longo alcance, e sem precedentes nas várias áreas da sociedade” para evitar as consequências que se adivinham.

Em matéria de saúde, são várias as causas arrastadas pelo aquecimento global a explicar porque existirão mais doenças, muitas delas fatais.

Entre essas causas está o provável aumento de mosquitos transmissores de diferentes vírus e a propagação de maiores zonas com águas contaminadas.

Os climas quentes e húmidos são terreno fértil para a proliferação de insetos e outros organismos patológicos, pelo que temperaturas mais quentes representam um risco acrescido.

A CNN cita um estudo de 2017, de um consórcio médico, segundo o qual se estão a tornar “mais comuns” as condições climáticas em que proliferam mosquitos como os que transmitem a febre do Nilo ou o dengue, sendo real a ameaça de que a malária possa ressurgir nos Estados Unidos.

Não é só pelo aumento do número dos agentes transmissores. Eles podem viver mais tempo e os vírus multiplicarem-se entre eles de forma mais rápida, razões que podem ter contribuído para a recente epidemia do vírus zika.

As condições climáticas extremas e as chuvas intensas são fatores conhecidos para o alastrar de bactérias, a partir da acumulação de água, o que só piorará com temperaturas mais quentes, sublinham vários especialistas. O risco é acrescido, se se considerar que essa água pode afetar também as produções agrícolas, pela contaminação dos solos.

Há mais causas. Além de existir uma comprovada relação entre a subida das temperaturas e a incidência de doenças mentais e da diabates tipo 2, os problemas respiratórios e enfartes estão associados à emissão de gases tóxicos, poluentes por sua vez responsabilizados por contribuirem para o aquecimento global. É uma pescadinha de rabo na boca, com a poluição provocada pelos detritos que deles resultam a levar ao aumento dos casos de asma, problemas pulmonares e doenças cardiovasculares.

Associado a mais calor estão também os incêndios florestais, outra das origens para que piore a qualidade do ar, que leva aos mesmos (ou outros) problemas respiratórios.

Talvez a mais curiosa das causas citadas no artido da CNN seja a relação entre a subida das temperaturas e a relização de menos operações de vigilância rodoviária e de inspeções de segurança alimentar. Quanto menos, maior o risco de condução descuidada e de produtos alimentares a circularem sem respeitar as condições exigidas, logo, mais acidentes ou proliferação de patogeneos como a E. coli .

A fatura é também financeiramente pesada. Além da mortalidade estimada pela OMS, os custos diretos na saúde com os danos provocados pelas alterações climáticas vão situar-se nos dois a quatro mil milhões de dólares (1.700 milhões a 3.500 milhões de euros) por ano a partir de 2030.