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Aliança espera “regresso à normalidade” na Defesa e “serenidade” nas Forças Armadas

ana baião

Força política liderada por Pedro Santana Lopes recorda que, no passado dia 5 de outubro, já tinha considerado inevitável a demissão de Azeredo Lopes

A nova formação política fundada por Pedro Santana Lopes, Aliança, manifestou nesta sexta-feira a expectativa que a demissão do ministro Azeredo Lopes traga normalidade" à área da Defesa Nacional e salvaguarde "a serenidade institucional adequada às Forças Armadas".

Em comunicado enviado à Lusa pela Comissão Instaladora Nacional do partido -- que aguarda 'luz verde' do Tribunal Constitucional -- é ainda expressa "a certeza de que as investigações continuarão à procura da verdade em todo este lamentável processo do furto das armas em Tancos".

No texto, esta força política recorda que, no passado dia 5 de outubro, já tinha considerado inevitável a demissão de Azeredo Lopes. "É óbvio que a salvaguarda mais elementar do respeito devido às Forças Armadas e a outras entidades relevantes do Estado, não permite outra conclusão que não seja a de que o ministro não tem condições para continuar no cargo", referiu então a Aliança.

O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes deixou no início de agosto o PSD, que já liderou, para fundar um novo partido, tendo entregue em 19 de setembro as assinaturas necessárias junto do Tribunal Constitucional com vista à formalização da Aliança.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demitiu-se hoje do Governo para evitar que as Forças Armadas sejam "desgastadas pelo ataque político" e pelas "acusações" de que disse estar a ser alvo por causa do processo de Tancos. "Não podia, e digo-o de forma sentida, deixar que, no que de mim dependesse, as mesmas Forças Armadas fossem desgastadas pelo ataque político ao ministro que as tutela", referiu Azeredo Lopes, na carta enviada ao primeiro-ministro e a que a Lusa teve acesso.

O ministro cessante voltou a negar que tenha tido conhecimento, "direto ou indireto, sobre uma operação em que o encobrimento se terá destinado a proteger o, ou um dos autores do furto". Quanto ao momento em que decidiu sair, Azeredo Lopes explicou que quis aguardar pela finalização da proposta de Orçamento do Estado para 2019 para "não perturbar" esse processo com a sua saída.

Numa nota à comunicação social, o primeiro-ministro, António Costa, afirma que aceitou hoje a demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em respeito pela sua "dignidade" e "honra" e para a preservação da "importância fundamental" das Forças Armadas.

Esse pedido de demissão, refere o líder do executivo, foi apresentado em termos que não podia recusar "em respeito pela sua dignidade, honra e bom nome, e para a preservação da importância fundamental das Forças Armadas como traves-mestras da soberania e identidade nacional no quadro de uma sociedade democrática e moderna". "Quero publicamente agradecer ao Professor Doutor José Alberto de Azeredo Lopes a dedicação e empenho com que serviu o país no desempenho das suas funções", acrescenta o primeiro-ministro.

Numa nota divulgada no portal da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, refere que aceitou a exoneração de José Azeredo Lopes de ministro da Defesa e adianta que aguarda a proposta por parte do primeiro-ministro, António Costa, de nomeação de um sucessor.