Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Ensino Superior: Universidades e politécnicos recebem menos 1200 alunos

Dez instituições de ensino superior fora de Lisboa e Porto conseguiram mais estudantes, mas 14 continuaram a perder. Ministro nomeia grupo de trabalho para avaliar continuação da política de redistribuição de vagas

Os resultados da 3.ª e última fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior já foram divulgados e confirmam o cenário esperado: uma redução de estudantes colocados por esta via, que resulta da diminuição de alunos inscritos nos exames nacionais do secundário. Após as três fases deste concurso, universidades e politécnicos recebem 45.313 novos alunos, menos 1231 do que no ano letivo passado.

No entanto, nem todas as instituições ficaram a perder. O concurso deste ano teve como grande novidade o corte de 5% das vagas em Lisboa e Porto, determinado pelo ministro do Ensino Superior como forma de travar a concentração de estudantes nas duas maiores cidades e o processo de deslocalização de jovens do interior para o litoral.

De acordo com as contas da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), houve 10 instituições fora de Lisboa e do Porto que conseguiram contrariar a diminuição global de colocados. Foi o caso das universidades do Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Madeira, Algarve, Évora e Coimbra, dos politécnicos de Tomar e Coimbra e ainda da Escola Náutica Infante D. Henrique.

Todas estas instituições ficaram de fora dos cortes e puderam aumentar a oferta também em 5%. Mas houve outras 14, a maioria institutos politécnicos, onde a medida não surtiu efeito. Aconteceu na Guarda (menos 105 colocados no concurso nacional), Bragança (menos 64), Santarém, Leiria, Viana do Castelo, Setúbal, Viseu, Castelo Branco e Beja, todos com perdas significativas. Neste último caso, por exemplo, só entraram 255 novos estudantes e a taxa de ocupação das vagas abertas ficou nos 48%. Quer isto dizer que estas instituições vão ficar vazias? Não necessariamente.

Além desta via, há mais alunos a chegar ao superior através de concursos especiais para estudantes internacionais, maiores de 23, bolseiros dos PALOP e também para os Cursos Superiores Técnicos Profissionais. As estimativas apontam que estes concursos façam chegar mais quase 28 mil estudantes que podem ajudar a compor o cenário.

Redistribuição de vagas para continuar?

O ministro Manuel Heitor já tinha feito um balanço positivo da aplicação da redistribuição de vagas, acreditando que se nada tivesse sido feito a concentração de alunos em Lisboa e no Porto se teria acentuado – em vez disso, as instituições de ensino das restantes regiões representam agora 54% do total de colocados, contra 53% de peso relativo em 2017, salienta o Ministério do Ensino Superior em comunicado.

Ainda assim, Manuel Heitor, defensor da continuação desta política, decidiu criar um grupo de trabalho, presidido por João Guerreiro, presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior e ex-reitor da Universidade do Algarve, para “avaliar o impacto das medidas de afetação de vagas determinadas este ano, assim como propor eventuais alterações a essas medidas para o concurso de acesso de 2019”.

O grupo de trabalho deverá ainda traçar cenários de futuro, tendo por base a redução demográfica que vai começar a atingir as universidades e politécnicos, mas também as potencialidades trazidas pelos baixos níveis de qualificação da população adulta.

As áreas que poucos querem

A DGES também analisou as colocações por áreas de formação e o que os números mostram é que há cursos bem mais atrativos do que outros. As formações em Direito, Informação e Jornalismo, Humanidades, Ciências Físicas ou Matemática apresentam taxas de ocupação de vagas superiores a 95%.

No extremo oposto estão as licenciaturas na área da Proteção do Ambiente, Formação de Professores e, sobretudo, Agricultura, Silvicultura e Pescas. Havia 826 vagas disponíveis e apenas 284 (o equivalente a 34% da capacidade) foram até agora ocupadas.