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Ex-chefe de gabinete de Azeredo assume que recebeu documentos sobre encobrimento em Tancos

Rafael Marchante

Notícia é avançada pela RTP. General Martins Pereira entregou documentos sobre operação das armas recuperadas de Tancos e já o fez chegar ao DCIAP

O general Martins Pereira, ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa Azeredo Lopes, entregou ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) documentação sobre a operação clandestina da PJM na Chamusca.

O então chefe de gabinete tinha já assumido na última quinta-feira, depois de uma notícia do Expresso, a existência de uma reunião no Ministério da Defesa com o então diretor da PJM, o coronel Luís Vieira, e o major Vasco Brazão, investigador daquela polícia.

“A documentação verdadeira foi entregue hoje no início da tarde, no DCIAP, pelos serviços do meu advogado”, adiantou o general à RTP.

É a primeira vez que assume ter recebido um memorando por parte dos dois militares da PJM naquela reunião que teve lugar em novembro.

A 4 de outubro, numa declaração escrita à agência Lusa, Martins Pereira tinha-se limitado a confirmar o encontro sem no entanto fazer qualquer referência a documentos que lhe tenham sido entregues nessa altura. "Cumpre-me informar, em abono da minha honra e da verdade dos factos, que efetivamente recebi o senhor coronel Luís Vieira e o senhor major Brazão no meu gabinete, em novembro de 2017. Nessa ocasião ou em qualquer outra não [lhe] foi possível descortinar qualquer facto que indiciasse qualquer irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos", declarou.

Nessa mesma quinta-feira, o Expresso tinha revelado que o major Vasco Brazão declarou ao juiz de instrução João Bártolo que tinha entregado um memorando ao então chefe de gabinete do ministro que revelava a encenação da entrega do arsenal de guerra roubado em Tancos.

Em reação à notícia, Azeredo Lopes negou categoricamente saber da operação de encobrimento das armas da PJM. E o primeiro-ministro António Costa veio publicamente apoiar o ministro.

Ricardo Sá Fernandes, advogado de Vasco Brazão, anunciou na última segunda-feira ter entregue ao DCIAP um requerimento a pedir para o major ser ouvido pelos procuradores do caso de forma a entregar o memorando apresentado em novembro ao ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes.

A Operação Húbris, desencadeada pelo DCIAP e Polícia Judiciária, tem nove arguidos, entre eles o ex-diretor da PJM, que se encontra em prisão preventiva. Há ainda mais quatro elementos daquele órgão de polícia criminal que depende do Ministério da Defesa, três militares da GNR de Loulé e ainda um ex-fuzileiro que terá guardado as armas roubadas nos paióis nacionais em junho de 2017 numa propriedade da família.

Na noite de 17 para 18 de outubro do ano passado, os suspeitos combinaram com João Paulino, o ex-fuzileiro que terá sido cúmplice no assalto, a entrega das armas num baldio na Chamusca.

A PJ soube do esquema através de uma carta anónima que descreve com minúcia toda a operação montada pela PJM e GNR de Loulé.