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Tancos. Major Vasco Brazão avisou MP que quer entregar memorando sobre operação clandestina de recuperação das armas

Local onde estiveram guardadas as armas de Tancos pertence à família do único civil detido na Operação Húbris Foto Tiago Miranda

Foto Tiago Miranda

Disponibilidade de entregar o documento e prestar mais declarações ao DCIAP avançou pouco depois da notícia do Expresso de quinta-feira e da reação de Azeredo Lopes, que negou saber da operação clandestina da PJM. Defesa de major Brazão aguarda agora uma resposta dos procuradores do caso

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

O major Vasco Brazão, arguido na Operação Húbris que se encontra em prisão domiciliária, avisou formalmente na última sexta-feira o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que pretende entregar o memorando sobre a operação da entrega das armas de Tancos e prestar os esclarecimentos adicionais aos procuradores que investigam o caso.

Uma informação confirmada ao Expresso por Ricardo Sá Fernandes, advogado do ex-porta voz da Polícia Judiciária Militar que acrescentou que a defesa ainda não teve qualquer feedback por parte dos procuradores titulares do inquérito. A notícia tinha sido avançada há poucos minutos pelo "Público".

Ricardo Sá Fernandes revela que o DCIAP foi alertado após as notícias do Expresso sobre as declarações de Vasco Brazão ao juiz de instrução João Bártolo e as reações do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que negou categoricamente ter sido informado sobre a operação da PJM.

Na última terça-feira, num depoimento de oito horas, o major disse ao magistrado do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa que no final do ano passado entregou no Ministério da Defesa, em conjunto com o então diretor da PJM, o coronel Luís Vieira, um memorando com informações sobre a operação da PJM.

Esse documento, ainda de acordo com as declarações do investigador da PJM no tribunal, foi entregue ao então chefe de gabinete do ministro, o major-general Martins Pereira. Na ocasião, e ainda segundo o depoimento, Martins Pereira ligou a Azeredo Lopes e passou o telefone ao coronel Luís Vieira para que o então diretor da PJM falasse diretamente com o ministro da Defesa.

Na quinta-feira à noite, e em reação à notícia que tinha sido avançada pelo Expresso, Martins Pereira admitiu que recebeu em novembro o coronel Luís Vieira e o major Brazão no Ministério da Defesa, mas nunca percebeu qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

"Cumpre-me informar, em abono da minha honra e da verdade dos factos, que efetivamente recebi o Sr. coronel Luís Vieira [diretor da Polícia Judiciária Militar] e o Sr. Major Brazão [porta-voz da Política Judiciária Militar], no meu gabinete, em novembro de 2017", referiu o tenente-general António Martins Pereira, numa declaração escrita, enviada à agência Lusa.

Já esta segunda-feira, o "Jornal de Notícias" noticiou que o ex-diretor-geral da PJM terá negado qualquer envolvimento numa encenação para encobrir os autores do roubo de material militar em Tancos. O coronel Luís Vieira, que se encontra em prisão preventiva, remeteu para os subalternos a responsabilidade de um eventual encobrimento. De acordo com o jornal, Vieira terá apontado um outro oficial, que não é arguido no processo, e Vasco Brazão, como os verdadeiros operacionais da PJM.

O ex-líder da Judiciária Militar terá argumentado que se limitava a ser um gestor sem intervenção direta na parte operacional daquele polícia de investigação militar. Negando, assim, a tese defendida pelo investigador da PJM, Vasco Brazão, que disse no interrogatório judicial ter ido com Vieira informar o ministro da Defesa da encenação montada na Chamusca sobre o aparecimento das armas.

A Operação Húbris tem nove arguidos: cinco militares da PJM, três da GNR de Loulé e um ex-fuzileiro. São suspeitos de terem combinado a entrega das armas roubadas nos paióis nacionais de Tancos com um dos alegados suspeitos do assalto. O armamento estava escondido na propriedade da família desse cúmplice, perto de Tomar. Na noite de 17 para 18 de outubro, as armas foram transferidas dessa herdade para um baldio na Chamusca. Em troca, o suspeito não foi detido pela PJM e GNR de Loulé.